No palco do IT Forum Praia do Forte 2025, Suzana Kubric, diretora de recursos humanos do Nubank, lançou uma provocação à plateia: “E se toda a tecnologia da sua empresa fosse clonada do dia para a noite, o que sobraria?”. Para ela, a resposta é simples e decisiva: são as pessoas e a cultura que […]
No palco do IT Forum Praia do Forte 2025, Suzana Kubric, diretora de recursos humanos do Nubank, lançou uma provocação à plateia: “E se toda a tecnologia da sua empresa fosse clonada do dia para a noite, o que sobraria?”. Para ela, a resposta é simples e decisiva: são as pessoas e a cultura que garantem o diferencial competitivo de qualquer organização.
A executiva apresentou a filosofia que sustenta a operação do banco digital, hoje com mais de 120 milhões de clientes na América Latina. Segundo Suzana, a cultura é o “tecido que dá vida à empresa” e se materializa em cinco valores: conquistar o amor dos clientes, agir como donos, desafiar o status quo, formar times fortes e diversos e buscar eficiência inteligente. “Os nossos clientes não consomem apenas produtos, eles consomem a nossa cultura”, afirmou.
No palco, Suzana defendeu que os modelos tradicionais de gestão, baseados em hierarquia rígida e comando e controle, já não acompanham a velocidade das transformações tecnológicas. O Nubank, por exemplo, reduziu os níveis hierárquicos de 14 para 7, ampliando a autonomia dos times e acelerando decisões. “Isso aumenta os riscos e os erros, mas é nesse aprendizado que nasce a inovação”, disse.
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Ela também destacou a importância de times diversos e multidisciplinares, organizados em squads que reúnem engenheiros, designers, analistas e gestores de produto. A diversidade de perspectivas, explicou, gera os “pontos de atrito” necessários para romper padrões e criar soluções melhores. Nesse contexto, ela apresentou a metáfora do “pente quebrado” para falar sobre carreira: profissionais que acumulam habilidades de diferentes profundidades e constroem trajetórias menos lineares, mas mais adaptáveis às mudanças constantes do mercado.
O próprio RH do Nubank, contou Suzana, foi redesenhado para operar como uma área de produto. Com engenheiros, designers e gerentes de produto integrados ao time, a companhia aplica metodologias como o triple diamond para criar processos internos mais eficientes. Um exemplo é o desenvolvimento de um talent marketplace baseado em inteligência artificial, capaz de mapear as habilidades de mais de 10 mil funcionários e conectar talentos a projetos de acordo com suas competências.
O impacto dessa estratégia aparece nos resultados financeiros: em 2024, o Nubank registrou faturamento de US$ 3,2 bilhões e lucro líquido acima de US$ 500 milhões, com valuation de US$ 60 bilhões. Mas, para Suzana, os números só são possíveis porque a cultura se mantém sólida mesmo diante do crescimento acelerado.
Encerrando a palestra, a CHRO deixou um desafio aos executivos presentes: repensar o papel das pessoas e da tecnologia em um cenário de mudanças rápidas e constantes. “Tudo o que conhecemos pode mudar em dias ou semanas. O que vocês estão fazendo para transformar o ‘pente quebrado’ de vocês em diferencial competitivo?”, provocou.
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