O que é NAS O Network Attached Storage (NAS, de forma abreviada) é popularmente conhecido como um disco externo conectado à rede, ao contrário dos discos externos que se ligam ao PC pela USB ou pela eSATA. A vantagem dos dispositivos NAS é que por estarem “em rede” seus recursos podem ser compartilhados por todos […]
O Network Attached Storage (NAS, de forma abreviada) é popularmente conhecido como um disco externo conectado à rede, ao contrário dos discos externos que se ligam ao PC pela USB ou pela eSATA. A vantagem dos dispositivos NAS é que por estarem “em rede” seus recursos podem ser compartilhados por todos os usuários dessa rede. Começam, então, as primeiras diferenças estruturais em relação aos discos USB: já que é multiusuário, é preciso ter um software interno para controle de pastas e de usuários, com as devidas permissões de acesso a essas pastas, e o gerenciamento do disco precisa ser feito pela rede, o que implica em algum tipo de interface de comunicação, geralmente uma interface web (requer um web Server). São recursos sofisticados, e seriam mal aproveitados se o NAS só tivesse um único disco rígido de capacidade limitada, portanto são mais comuns às versões com múltiplos discos, especialmente com 2 ou 4 deles, e com isso acrescentamos mais uma característica: suporte ao RAID.
À medida que vamos sofisticando o conceito de NAS, mais próximo de um “computador” ele vai se tornando, e com maior poder de processamento interno mais recursos vão sendo agregados a ele até que esbarramos no limite do custo, pois se o NAS se tornar muito caro, ele não terá a aceitação no mercado que o fabricante espera. Entre os dispositivos domésticos e os SMB (Small & Medium Business) há uma gama de modelos variando justamente nos recursos embutidos e na performance do conjunto. Tenho aqui em casa dois NAS da Western Digital conhecidos como MyBookWorld (versão com 1 e 2 discos), que são dois exemplos de NAS domésticos básicos, com interface via web e alguns aplicativos nativos para distribuição de filmes/fotos/músicas, gerenciamento remoto e compartilhamento de pastas. Nada muito sofisticado, mas funciona muito bem em uma rede doméstica e seu baixo consumo elétrico agrada. Apesar do suporte à rede de 1000mbps, sempre achei a performance do MyBookWorld na transferência de arquivos muito baixa, cerca de 6MB/s, e o problema está no processador ARM926EJ, de baixa performance (200MHz apenas) voltado para poucos serviços e pouca demanda.

Talvez seja esta a maior diferença entre os NAS da Synology, que vamos conhecer aqui, e os demais modelos domésticos e SMB. Performance!
O slogan da empresa é “A nova experiência em NAS” (The new NAS experience em inglês) prometendo trazer aos usuários um nível de performance e recursos não vistos em modelos básicos e populares. A empresa existe desde 2000 e é especializada em NAS para SMB e usuários domésticos, oferecendo versões no estilo “rack” para aqueles usuários e empresas que estão em um nível de demanda mais alto. O setor de pesquisa e desenvolvimento (R&D) da Synology é focado em soluções de hardware e software para NAS, incorporando recursos normalmente encontrados em modelos corporativos naquilo que eles chamam de “entry level business”, uma estratégia interessante para cativar um mercado onde literalmente é o usuário quem decide a compra.

Para entender melhor o que isso significa, recomendo que acessem o site de demonstração, um NAS real da Synology disponível na rede pública com alguns recursos desabilitados para evitar mal uso nas demos. Como o acesso estará se dando através da Internet, é possível que haja alguma latência, especialmente nos vídeos, mas em um caso real vocês estariam acessando pela rede local, que é absurdamente mais rápida. Acessem a demo com os dados abaixo, especialmente a sessão de vigilância (câmera IP, é necessário instalar um ActiveX no Internet Explorer, já no Firefox funciona direto):
Account: admin
Password: synology
Recomendo que naveguem no painel de controle para conhecer os recursos e ouçam uma música pelo Audio Station, uma interface web para gerenciamento de bibliotecas de músicas e rádio muito interessante. O suporte a câmeras de vigilância é muito interessante para empresas pequenas, pois possibilita gravar e gerenciar os filmes dessas câmeras tal como um sistema analógico baseado em fitas. Cada NAS vem com licença para 1 única câmera, mas há um “camera licence pack” que permite adicionar e ativar várias outras câmeras no DiskStation.

O modelo que testamos foi o “Business Class” DiskStation DS-710+ com duas baias (dois HDDs, instalamos dois Seagate Barracuda LP de 2TB cada, totalizando 4TB), e utilizamos a ultima versão do software DSM 3.0 que equipa os NAS da marca. O DS-710+ utiliza um processador Atom da Intel de 1.67 GHz e 1GB de RAM, configuração muito comum em netbooks e várias vezes mais poderosa do que é encontrado em NAS domésticos. O resultado disso é uma taxa de leitura na casa de 100MB/s e escrita em 80MB/s (não utilizei RAID para obter esse resultado, a Synology afirma atingir taxas acima de 100MB/s para escrita em RAID 1, e eu não duvido), simplesmente 8 vezes mais rápido do que eu tenho com os meus MyBookWorld da Western Digital. O DiskStaton DS-710+ suporta até 16 câmeras simultâneas no aplicativo Surveillance Station que falaremos mais a frente.
O dispositivo não vem com HDDs instalados, cabe o usuário instalar os discos de sua preferência. Eu optei por dois Seagate Barracudas de 2TB cada, mas acabei não optando pelo modo RAID 1 inicialmente para poder avaliar a performance do sistema puro, sem grande influencia dos discos. Optei por ativar apenas um disco independente no modo Synology Hybrid RAID (SHR), que constrói o RAID de forma otimizada de acordo com os discos existentes, mesmo eles tendo tamanhos diferentes (veja vídeo mais pra frente). De fato, com apenas um disco ativado não há RAID, mas isso me permitirá montar o RAID simplesmente ativando o segundo disco que foi instalado junto com o primeiro. Como vem sem discos, o sistema operacional (ou firmware) também não está pré-instalado, o que é ótimo, pois permite uma possível substituição de ambos os discos simultaneamente no futuro com a devida reinstalação do firmware.

Um CD que acompanha o produto faz todo o serviço de instalação e setup do NAS, mas sabendo que existia uma atualização fiz o procedimento direto: Instalei apenas um assistente que controla o dispositivo mesmo sem ter o SO instalado, e a partir dele instalei o último firmware. O procedimento foi rápido, mas o passo seguinte levou bem mais tempo: checar os discos e formatar as unidades levou algumas horas, afinal eram 4TB!

Durante esse tempo fui observar alguns outros aspectos interessantes do produto. A montagem dos HDs é bastante fácil através de gavetas hot swap com travas. Duas portas USB permitem a conexão de outros dispositivos externos como até duas impressoras (o NAS atuará como um Print Server, basta configurar no painel de controle). Vocês vão ver mais a frente que o DS-710+ é de fato um computador, portanto essas portas USB suportam até teclados.
Um dos aplicativos existentes é o Synology Data Replicator que permite fazer backup de maquinas Windows, enquanto os usuários Mac usufruem do suporte nativo ao Apple Time Machine. Mas como fazer o backup do NAS em outro lugar? Um wizard no painel de controle permite fazer o backup do backup em outro Synology DiskStation ou qualquer rsync Server através de transmissão criptografada, ou ainda em qualquer disco externo conectado nas USB ou eSATA (sim, ele tem uma porta eSATA) ou em um Amazon S3 Server. Redundância, meu caro, isso vale ouro!
As especificações completas podem ser vistas no site do fabricante, mas vou destacar algumas que me impressionaram positivamente:
1) Possui suporte a Wireless através de um adaptador USB (ver compatibilidade)
2) Suporta discos de 3.5 e 2.5 polegadas, incluindo SSD, até o limite de 6TB (2x 3TB).
3) Wake On Lan, conexão direta com nobreaks USB e Power Recovery, garantindo que estará sempre disponível.
4) Consumo de apenas 22 Watts (17W em hibernação, já considerando dois discos instalados)
5) Ruído de apenas 22dB (inaudível no meu escritório)
6) Pode operar como um iSCSI Target Server, vários iSCSI Target LUNs (Logical Unit Number) podem ser definidos permitindo virtualizar o armazenamento.
Existe uma tabela de HDDs suportados e pré-testados, mas não há grandes limitações exceto alguns poucos modelos antigos que não entram em modo de Hibernação corretamente e outros que possuam dimensões físicas anormais.
São tantos recursos disponíveis que levariam páginas e mais páginas para apresentar e avaliar cada um, portanto vou fazer um rápido resumo daqueles que são realmente importantes e mostram o diferencial do produto. São os Aplicativos desenvolvidos pela Synology que merecem algum destaque, e para não cometer o erro de resumir demais, recomendo que acessem a LIVE DEMO que citei nas páginas anteriores (com login e senha):

Todos os aplicativos “Station” citados acima possuem níveis de permissões específicos, gerenciados de forma separada dos demais usuários do NAS. Há ainda outros recursos muito interessantes, mas que são comuns a outros NAS como o caso do iTunes Server e o DLNA/UPnP Media Server (com suporte a legendas externas…)
O DiskStation DS-710+ é um computador mesmo, provavelmente derivado de uma motherboard Atom com slots SO-DIMM de memória. Os mais atentos devem ter visto um conector VGA na parte traseira do NAS, coberto por uma capa plástica, e de fato, ligado a um monitor e com a ajuda de um teclado USB é possível entrar na BIOS do sistema, como mostra a foto abaixo.

Infelizmente eu não tinha um teclado USB em mãos, utilizei um PS/2 com adaptador para USB e não deu muito certo, entrou na BIOS mas não consegui navegar por ela, embora outros usuários relataram em fóruns que navegaram com sucesso. Li relatos que com um CD ROM externo e um “Live CD” do Ubunto o sistema liga normalmente, comprovando que se trata de um “computador” mesmo. O fato de usar uma distribuição Linux, e a Synology disponibilizar o SDK e o Código Fonte para desenvolvedores reforça a versatilidade do produto, permitindo o incremento gradual de novos aplicativos em cima do mesmo hardware.

Existe um “módulo de expansão” chamado de DX510 disponível para o DS-710+ e DS-1010+ (de 5 baias), com o DX510 acrescenta-se mais 5 baias para HDD a qualquer um dos modelos pela porta eSATA de 3.0 Gbps, permitindo que os discos do módulo de expansão possam operar tais como estivessem dentro do NAS, que pode gerenciar todos os discos como um único volume.
A Synology oferece alguns Webinars (seminários via Web, em inglês), e alguns são muito interessantes, vale a pena assistir. Selecionei alguns que vão ajudar a entender o que é possível fazer com um NAS:

Eu nunca tinha usado iSCSI na rede doméstica, e me surpreendi com os resultados. O iSCSI funciona como um mapeamento virtual na rede. No DS-710+ você define o identificador desse espaço virtual e no Windows 7 você usa o iSCSI Initiator para automaticamente apresentar o disco como uma unidade física em seu sistema. Depois é só formatar e usar normalmente. Se precisar de mais espaço, basta ir ao painel de controle do NAS e aumentar o espaço virtual do iSCSI que ele automaticamente aparecerá no Windows como “não formatado”, usando a opção “expand” do gerenciador do Windows o espaço poderá se utilizado normalmente sem que a partição tenha perdido um dado sequer.

O somatório dos espaços alocados de todos os discos virtuais pode ser bem maior que a quantidade de espaço físico nos discos do NAS, o sistema vai se ajustando conforme o uso até ser necessário acrescentar mais discos no NAS (se tiver baias livres ou através de um módulo de expansão), sem que os endereços ou os dados sejam perdidos.
Esse é o tipo de produto que você instala e esquece que ele existe. Fica lá no canto da mesa, quieto, com os leds acesos, fazendo o trabalho dele sem incomodar ninguém. Aqui no escritório não temos a necessidade de usar uma série de recursos que o DS-710+ oferece nativamente, mas outros são fundamentais. Depois dos discos instalados, dos usuários definidos e da configuração do roteador estar devidamente ajustada, com as portas para alguns serviços definidas, adotei algumas estratégias que vou descrever aqui:
O único serviço de mídia que precisamos é o que serve aos WDTV Live junto às TVs, todos os demais foram desativados rapidamente. Temos rotinas de backup bastante intensas e todas elas foram transferidas para o DS-710+ sem nenhuma dificuldade. Um dos PCs permaneceu utilizando uma licença recém comprada do Genie Timeline, um ótimo software de backup, enquanto os outros passaram a usar o Synology Data Replicator, que se comunica com o NAS diretamente. Não tenho ainda uma opinião formada de qual é o melhor, pois ambos funcionaram muito bem. O nobreak (um APC RS 1500) ficou ligado direto no NAS, que se desligará caso entre em “safe mode”.
Não habilitei nenhum acesso remoto externo a nossa rede (o DS-710+ suporta vários provedores de DDNS (Dynamic DNS ? uma forma de definir um domínio fixo com IP dinâmico dos provedores de internet brasileiros), mas habilitei alguns recursos para uso local, como o File Station (muito útil para “arrumar a casa” usando o browser do Smartphone). A idéia era replicar o que era feito antes com o MyBookWorld (MBW) e avaliar as diferenças. E o salto qualitativo valeu a pena.
O gerenciamento de tudo é muito mais fácil, habilitar e desabilitar recursos é algo trivial, quando no MBW era necessário atuar no código via SSH (DiskStation também tem) porque pela interface da Western Digital simplesmente não é possível desativar alguns serviços “nativos”. Pode ser impressão minha, mas o Download Station me pareceu oferecer mais performance do que o “Transmission”, o bittorrent que eu instalei “a força” no MBW. O Download Station além de permitir em uma única interface o download de vários tipos diferentes de arquivos (o outro só permite “torrents”) nos primeiros exemplos consegui taxas de download acima de 1000kbps, perto do limite da minha banda larga, algo que raramente eu conseguia com o Transmission. Aliás, instalei o Transmission no DS-710+ de forma muito rápida, pois alguns usuários no fórum da Synology desenvolveram um pacote para facilitar a instalação, e funcionou de primeira, mas vou remover e ficar com o Download Station. Essa comunidade de desenvolvedores que portam aplicações para o gerenciador de pacotes do sistema da Synology, que é baseado em Linux, dá um valor adicional ao produto.
Mas foi o ganho de performance do conjunto que mais me surpreendeu. O MBW da Western Digital “amarrava” minha rede, pois todo o conteúdo compartilhado era lentamente servido por ele. Com o DS-710+ tudo ficou absurdamente mais rápido, as rotinas de backup ficaram praticamente 10 vezes mais rápida, a transferência de arquivos também, e o WDTV Live ficou tão rápido na navegação utilizando o DiskStation pela rede que dispensei o disco local USB.
Esse incremento de performance não se dá somente pelo processador Atom, mas também pela nova controladora de discos com suporte a SATA II, veja nos gráficos abaixo as diferenças de performance entre os modelos da Synology de duas baias.


O ganho acontece não só em taxas de transferências, mas também em número de clientes simultâneos. Melhor que isso só o DS-1010+ com link agregation, capaz de agrupar duas conexões de redes em uma só, dobrando a banda.

Ainda vou pesquisar um pouco mais sobre o iSCSI, recurso que me parece extremamente interessante para algumas aplicações que tenho. Um dia desses volto a escrever sobre isso aqui no site.
O DS710+ é um NAS de gente grande. Ao contrário dos modelos da Western Digital, é possível fazer upgrades de disco sem dificuldades, restaurando ou instalando do zero um sistema operacional novo (algo quase impossível com o MyBookWorld, onde o sistema está pré-instalado no disco interno e o usuário não tem acesso a uma cópia) e a performance é praticamente 10 vezes melhor. Adaptar o DS710+ às suas necessidades é algo trivial, pode-se incluir ou excluir pacotes, ativar ou desativar serviços e há diversas formas de gerenciar os discos e suas partições compartilhadas. O fórum da Synology é uma ferramenta riquíssima para resolução de problemas e divulgação de novos recursos, vale a pena se inscrever.
Os aplicativos desenvolvidos pela Synology são fáceis de usar e bastante versáteis, permitem seu uso em PCs, Mac, iPhone e outros smartphones baseados em Android. Com apenas duas baias de disco, o DS-710+ fica limitado a no máximo 6TB com o atual firmware (considerando que no momento os maiores discos disponíveis são de 3TB), e considerando o preço atual dos HDDs de grande capacidade não é caro montar um conjunto com 2TB ou 4TB no total em RAID 0 ou discos independentes, lembrando que em RAID 1, mais seguro, a capacidade total corresponde a de apenas um dos discos.
Seu único problema é o preço. O DS-710+ sem nenhum disco custa lá fora mais de 550 dólares, quase 200 dólares a mais que o MyBookWorld de 4TB (com os discos inclusos) e tem preço sugerido no Brasil de 2.740 reais, mais de 1300 reais mais caro que o NAS da Western Digital por aqui. Será que vale a pena? Dependendo da necessidade sim, especialmente para escritórios, pois o ganho de performance é considerável, o gerenciamento de iSCSI facilita demais a vida do administrador da rede, e o recurso de gerenciamento de câmeras de vigilância por si só já vale o preço do DS-710+.