Semana passada iniciei esta série com o texto Tecnologias de Futuro-parte 1 . Foi muito legal o debate que se seguiu ao texto, mais de 80 comentários muito interessantes. Curiosamente o tema menos escolhido, Blu-ray, foi o que gerou o maior número de contribuições na discussão. Aprendi um bocado com as intervenções do pessoal. Esta […]
Semana passada iniciei esta série com o texto Tecnologias de Futuro-parte 1 . Foi muito legal o debate que se seguiu ao texto, mais de 80 comentários muito interessantes. Curiosamente o tema menos escolhido, Blu-ray, foi o que gerou o maior número de contribuições na discussão. Aprendi um bocado com as intervenções do pessoal. Esta semana eu concluo esta pequena série com mais dez tecnologias emergentes que pelo meu “adivinhômetro” podem decolar nos próximos anos.
MONITORES 3D : O sonho de longo tempo, poder perceber as imagens de seu computador em três dimensões começa a se tornar realidade. Há dois tipos completamente diferentes de tecnologia. A mais simples, que até já tem alguns produtos disponíveis em lojas é a baseada em óculos polarizados. Há décadas já existe projeção (cinema) em três dimensões que usavam lentes coloridas (verde e vermelho, por exemplo) para que uma imagem “confusa” na tela fosse filtrada em cada olho por uma cor e interpretando dois “pontos de vista” nosso cérebro reconstruísse a cena tridimensional. O problema era a baixa qualidade e a distorção da percepção das cores introduzidas pelas lentes-filtro coloridas. As lentes polarizadas (sem filtro de cor) surgiram para resolver isto. Já há monitores que trabalhando a 120 Hz (o dobro dos monitores convencionais) recebem da placa de vídeo as duas imagens (uma para cada olho em ciclos alternado-por isso o dobro da freqüência) e proporcionam uma experiência muito realista. Jogos como Age of Conan, Battefield 2, Call of Duty 4, Crysis, Far Cry 2, entre muitos outros funcionam com esta tecnologia segundo alguns fabricantes. Dependem de uma placa de vídeo poderosa e sofisticada, mas que estão se tornando cada vez mais baratas.

O segundo tipo é o monitor holográfico. Experiência semelhante ao vídeo da Princesa Lea do clássico filme de ficção Star Wars. Este tipo, muito mais sofisticado já existe em laboratórios e um protótipo foi mostrado na CES 2009 de Las Vegas. Ainda grandes e muito caros prometem evoluir nos próximos anos. A tecnologia dos óculos polarizados e monitores que geram os dois campos de visão estão em franca ascensão impulsionada pelos jogos que com relativa facilidade poderão suportar esta incrível nova experiência. Com certeza filmes virão também com grande força para impulsionar este tipo de monitor.

Grau de adoção : 10% (entre gamers)
Potencial de crescimento : 25
%Previsão de adoção em massa : 2009/2010
2009 Jogos mesmo sem adaptação especial impulsionam a tecnologia
2010 Softwares específicos para visualização em 3D chegam ao mercado revolucionando a experiência do usuário.
2015 Monitores holográficos que dispensam os óculos amadurecem e invadem o mercado
PCs TOUCHSCREEN : A tecnologia multi-touch já fora apresentada como um exercício de futurologia em 2006 pela Microsoft na forma da interface chamada “MS Surface” e encantou a todos. Antes disso alguns PDAs já aceitavam certos comandos via toque no visor. Os Tablet PCs também exercitaram um pouco este tipo de forma de interação com o PC. Mas definitivamente o iPhone com a sua interface extremamente bem resolvida que fez popularizar totalmente esta nova forma de uso dos dispositivos. Usuários de PCs também podem obter grandes ganhos de produtividade com esta tecnologia. O velho e bom mouse já atingiu o máximo de suas possibilidades ao explorar interfaces gráficas. O que diferencia o PC touchscreen é que na verdade o recurso multitouch é o verdadeiro “ovo de Colombo”. A grande sacada e permitir que várias áreas da tela possam ser selecionadas e arrastadas permitindo realizar com grande produtividade tarefas que seriam executadas com muitos “clicar-e-arrastar” feitas com mouse.
A HP já lançou inclusive no Brasil o TouchSmart PC com esta tecnologia usando um hardware bem interessante. O monitor LCD não é realmente sensível ao toque. Existem dois pequenos trilhos em cada aresta do monitor (horizontal e vertical), que são detectores de movimento e profundidade parecidos ao sensor do badalado Nintendo Wii. É uma solução simples, de custo baixo que traz para os PCs a funcionalidade multitouch. Esta tecnologia como está se tornando barata tende a ser incorporada muito rapidamente no dia a dia. A mesma HP já tornou disponíveis notebooks série TX que trabalham com tela sensível a toque que podem ser combinados à funcionalidade de Tablet. O Windows 7, sucessor do Vista herdará o esforço de pesquisa da Microsoft no aplicativo Surface e suportará também nativamente esta interface.

Grau de adoção : 10%
Potencial de crescimento : 60
%Previsão de adoção em massa : 2011
2009 Modelos visando mercado mais sofisticado são lançadoscom sucesso
2010 Monitores LCD e telas de notebook passam a ter interface de toque com opcional bastante procurado
2011 Em casa e nos escritórios todos ganham produtividade com interface de toque
USB 3.0 : Com a escalada de demanda por velocidade tornou-se necessária uma forma de interligar mais rapidamente estes novos dispositivos. Um bom exemplo são os HDs externos que se tornaram tão populares. Enquanto a interface SATA, usada para conectar internamente os discos rígidos operam a 3.0 Gbps os discos externos são limitados pela USB (2.0) a 480 Mbps (cerca de 7 vezes mais devagar). Isso limita estes discos a aplicações para arquivamento de dados, backup, ou acesso a arquivos que podem ser feitos mais lentamente. Com interface USB 3.0 estes discos externos terão o mesmo desempenhos dos discos internos, pois amplia a velocidade de transferência para 4.5 Gbps. Já existe uma conexão chamada eSATA (external SATA) que resolve este problema mas somente para discos rígidos e por isso mesmo pouco usada. USB 3.0 estende esta velocidade a qualquer dispositivo que hoje usa a conexão USB como Unidades de Blu-Ray externas, discos e câmeras. Como fotografias e vídeos digitais estão cada vez maiores, haverá grande benefício na adoção desta nova interface.

O padrão foi proposto e ratificado somente em novembro de 2008. Por isso somente alguns protótipos foram criados, mas como agora é definitiva a especificação rapidamente deverá ocorrer a adoção por parte dos fabricantes de PCs, notebooks e periféricos. Os novos dispositivos como impressoras devem usar um cabo especial para USB 3.0, mas como os conectores nos PCs são idênticos aos padrões anteriores (1.0 e 2.0) todos os periféricos existentes funcionarão (mais lentamente-na velocidade original) em portas USBs no padrão novo.

Grau de adoção : 1%
Potencial de crescimento : 70
%Previsão de adoção em massa : 2010
2009 Até final do ano algumas placas mães e dispositivos chegam ao mercado
2010 Dispositivos e placas já serão USB 2.0 e 3.0 compatíveis
2012 Não há mais dispositivos USB 1.0 ou 2.0o mercado
NETBOOKS : Notebooks ficam cada vez menores, mais poderosos e permanecem caros frente aos notebooks de tamanho “normal”. Percebeu-se que havia mercado para máquinas despojadas, mais simples, mas cada vez menores. São essencialmente dispositivos para acesso à Internet, e-mail, comunicação instantânea e eventualmente retocar textos ou planilhas e apresentações. O Internet notebok (netbook) nasceu com esta proposta. Asus com seu Eee-PC abriu este mercado. Hoje em dia HP, Lenovo, Gigabyte, Dell, LG, Positivo, etc. oferecem estes equipamentos a custos interessantes. Ainda não atingiu sua maturidade por isso ainda há espaço para aperfeiçoamentos. Vida útil de bateria é crítico para este tipo de dispositivo, bem como múltiplas formas de acesso à Internet como Wi-Fi e chip 3G e ergonomia de uso.
O mercado tenta posicionar os netbooks como o segundo notebook dos usuários, aquele que ele preferirá no lugar de seu notebook mais robusto e cheio de recursos que não são sempre necessários quando estiver “na rua”. Algumas outras tecnologias emergentes como SSDs (discos sólidos) foram fundamentais no projeto de dispositivos pequenos, leves e resistentes como os netbooks (embora ainda com capacidade restrita por causa do preço dos SSDs). Os defensores do netbook o consideram uma solução muito melhor que usar celulares para acesso à Internet uma vez que a experiência visual, por conta da tela e teclado maiores oferece semelhança ao uso da Internet no desktop, porém em um aparelho muito menor. Qual é o limite do tamanho de um netbook? Se couber no bolso aproxima-se muito de um celular, se crescer nada o torna diferente de um notebook pequeno. É no equilíbrio do tamanho, preço e conjunto de recursos que reside o sucesso ou insucesso dos emergentes netbooks.

Grau de adoção : 15%
Potencial de crescimento : 45
%Previsão de adoção em massa : 2009/2010
2009 Grande variedade já disponível mas mercado ainda um busca do mix ideal de recursos
2010 Fabricantes têm vários níveis de netbooks que “vestem” todos as expectativas dos usuários.
2012 Netbooks tornam-se os PCs domésticos restando desktops tradicionais apenas para jogos
IMAGEM fut-netbook.JPG
DISPLAYS FLEXÍVEIS : São dispositivos ultrafinos feitos quase que inteiramentede plásticos que recebem uma delgada camada de transistores e que funcionam como um tipo de monitor de vídeo para aplicações específicas. As aplicações são desde o chamado “papel eletrônico” (uma forma de mimetizar o papel de uma forma digital) a criação de displays com consumo de energia extremamente baixo. Poderão ser usados como tecnologias alternativas para os displays planos (LCD) que existem hoje, em visores de celulares e todo tipo de pequenos aparelhos como notebooks, calculadoras, etc. O interessante é que o processo de fabricação se assemelha muito à produção de papel e sua respectiva impressão em uma gráfica, pois se faz em rolos de plástico nos quais a parte eletrônica é “impressa”, barateando a produção. Intel, HP, LG, Philips, Sony e ASU estão na disputa da vanguarda desta tecnologia.
Fala-se que deverão chegar ao mercado não antes de 2011, mas as aplicações criativas são inúmeras. Imagine receber o manual do seu carro em um destes papéis eletrônicos. Ele teria apenas uma página, fina como um papel de verdade, que mostraria o conteúdo do manual inteiro, página a página e o ato de “virar a página” (mover o dispositivo como se fora um manual de verdade) faz mudar o conteúdo para a próxima folha. Há alguns desafios a serem superados como a resistência ao calor (que prejudica a estabilidade das finas folhas plásticas) e a qualidade da impressão (que já melhorou muito). Seja com o nome de eletronic paper, E-Ink ou mesmo usado como display de computador pendurado na parede é uma tecnologia promissora, mas que ainda precisa de algum tempo para ser largamente usada.

Grau de adoção : 0%
Potencial de crescimento : 10
%Previsão de adoção em massa : 2010/2011
2009 Uso de painéis flexíveis em e-books começam a despertar interesse
2011 Livros eletrônicos tornam-se populares
2013 Grandes painéis flexíveis são usados como telas para projeção e nas residências
Era isso pessoal. Espero que tenham gostado da minha primeira incursão como “profeta amador” ou quem sabe apenas uma imitação incipiente de “Mãe Diná”. Mas quem tiver boa memória, ou guardar o link para este artigo poderá no futuro checar o quão próximo ou distantes foram estes palpites e os resultados dos debates travados pelos leitores.