Por Andrea Fodor A transformação digital, o uso de dados como diferencial competitivo e a Inteligência Artificial (IA) já são pautas mais do que consolidadas na agenda de qualquer CEO aqui no Brasil. Agora, chegou a hora de darmos atenção à transformação verde, especialmente em TI. Trabalhando em uma multinacional, vejo uma nítida diferença de […]
Por Andrea Fodor
A transformação digital, o uso de dados como diferencial competitivo e a Inteligência Artificial (IA) já são pautas mais do que consolidadas na agenda de qualquer CEO aqui no Brasil. Agora, chegou a hora de darmos atenção à transformação verde, especialmente em TI. Trabalhando em uma multinacional, vejo uma nítida diferença de maturidade entre mercados como o europeu e o brasileiro sobre este ponto. E, na minha experiência, essa lacuna representa tanto um risco quanto uma oportunidade.
Se olharmos para o estudo Guia do CEO Visionário para a Sustentabilidade 2024, realizado pela Bain & Company, fica evidente que a sustentabilidade perdeu espaço na lista de prioridades dos CEOs para temas como a própria IA, o crescimento dos negócios e a inflação. Honestamente, acredito que deixar esta pauta de lado é uma visão perigosa. As empresas na Europa, por exemplo, tratam o assunto como um pilar de negócios, não apenas por uma cultura de responsabilidade, mas por regulamentações claras que as impulsionam. Lá, a TI Verde é vista como um caminho indispensável para atingir metas ambientais e operacionais.
Enquanto isso, aqui no Brasil, sinto que muitas organizações ainda enxergam a pauta verde como um mero centro de custos.O que essa visão não captura é que a sustentabilidade em TI não é apenas uma questão ecológica, mas um imperativo econômico. Operar e escalar tecnologias como Inteligência Artificial, assim como o crescimento exponencial dos dados, tem um custo financeiro e a TI Verde oferece a solução estratégica para esse desafio. Mas a análise, no entanto, precisa ser holística.
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É claro que a transição para um modelo sustentável tem seus custos. Falo de investimentos para renovar infraestruturas, da complexa tarefa de capacitar equipes para essa nova visão e da gestão de riscos associados à inovação. Na prática, isso pode se manifestar em desafios operacionais, como interrupções na cadeia de suprimentos ao migrar para fornecedores mais sustentáveis.
A maioria das empresas compreende bem os custos, mas subestima os benefícios que a TI Verde pode gerar, resultando em um sólido retorno sobre o investimento (ROI). E as vantagens podem ser observadas em três áreas principais:
Hardware e software sustentáveis otimizam a eficiência de várias formas, diminuindo a necessidade de refrigeração em data centers e reduzindo o consumo de energia. Além da consolidação da infraestrutura e virtualização dos recursos algoritmos otimizados, por exemplo, podem corrigir códigos “famintos” por recursos.
Em um cenário de inflação e ascensão da IA (uma tecnologia notoriamente consumidora de energia), essa economia é fundamental. As empresas que acompanho na adoção dessas medidas observam, em média:
Redução de 20% nos custos de manutenção.
Queda de 30% no uso de recursos de TI.
Diminuição de 40% nas contas de energia.
Um exemplo que gosto de citar é o da Gijima, uma empresa sul-africana de TIC que, ao consolidar seus equipamentos legados e adotar uma infraestrutura de dados sustentável, alcançou uma redução de 66% no seu consumo de energia, resfriamento e espaço. Outros benefícios foram a redução de 25% dos dados a partir da funcionalidade de compressão, com uma melhoria de performance e experiência do usuário.
O mais interessante é que a nova plataforma de software de gerenciamento unificado, além de simplificar a operação, mede a pegada de carbono de seus dados, e recebe recomendações de melhorias no seus sustainability score.
Adotar práticas sustentáveis não se limita a ganhos de eficiência; pode, de fato, impulsionar a lucratividade. Uma transição verde bem-sucedida permite:
Abertura de novos mercados: pense na venda do calor residual gerado por data centers. A iniciativa Open District Heating de Estocolmo, por exemplo, aquece 30 mil apartamentos por ano com essa energia recuperada. Para mim, isso é a definição de inovação.
Escala acessível e eficiente: a otimização do ambiente de TI libera recursos financeiros e computacionais para acelerar outras frentes, como a própria IA.
A TI Verde gera benefícios que fortalecem a posição da empresa no mercado de forma duradoura, incluindo:
Melhora da reputação e da imagem da marca.
Atração de parceiros de negócio e talentos alinhados a esses valores (algo cada vez mais crítico).
Diferenciação competitiva: o Guia de Sustentabilidade da Bain & Company mostra que a sustentabilidade já é um dos três principais critérios de compra para clientes corporativos. Mais de um terço deles estão dispostos a trocar de fornecedores que não cumpram requisitos ambientais. Isso não é mais um “diferencial”, é um requisito de negócio.
A aceleração da transformação digital e da IA, resultando em um aumento drástico de armazenamento de dados, torna a TI Verde não apenas desejável, mas necessária para escalar operações de forma financeiramente viável. O sucesso depende de uma infraestrutura de dados moderna, projetada com a sustentabilidade em seu núcleo.
A fórmula, para mim, é simples e universal: Redução de Custos + Crescimento da Receita = ROI Verde. Ao fazer as contas, fica evidente que abraçar o poder da TI Verde não é uma questão de ideologia, é, simplesmente, um excelente negócio.
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