Companhias terceirizam parte, mas mantêm infraestrutura interna para alguns processos
Há cerca de oito anos, a Ticket instituiu um modelo híbrido composto de um grande data center terceirizado e outro interno, de menor porte. Isto dá ao diretor-adjunto de TI para a América Latina, Fábio Ferreira, uma rotina que permite comparação efetiva e diária dos prós e contras de cada opção. Em Hortolândia (SP), a empresa terceirizou com a IBM uma estrutura que soma cerca de cem servidores com 20 terabytes de informação. Lá ficam os aplicativos de missão crítica, como sistemas de autorização de cartões e débitos. Em casa, a Ticket conta com parque de 40 máquinas usadas em atividades não relacionadas com produção.
Entre os benefícios mais óbvios do outsourcing, Ferreira destaca a redução de custos decorrente, entre outras coisas, do compartilhamento de recursos. “Faço parte de um condomínio, o que enxuga custos não apenas em termos de manutenção, mas também de inovação tecnológica e pessoal”, explica. Isto ajuda para suportar o dia a dia de um negócio que cresce em média 10% ao ano e conta com mais de 2,5 milhões de cartões ativos no Brasil. “Melhoramos o tempo de colocação de produto no mercado, o que é essencial no nosso setor.”
Por outro lado, o data center interno da empresa é limitado fisicamente (50 m²). A empresa optou por manter a estrutura interna, que atende a todos os negócios da unidade Accor Services, porque representa melhor relação custo-benefício. “No caso de algumas aplicações, não vale a pena enviá-las para fora, pois custaria muito mais, devido aos links de comunicação”, explica o executivo. Uma vez tomada a decisão, a empresa optou pelo conceito de data center verde. Exigiu um investimento maior, mas a recompensa veio. “Com a economia de energia de mais de 30%, se pagou em um ano.” O data center interno da Ticket é um ambiente complexo, mas não preocupa tanto o diretor por não abrigar processos críticos. “Já no caso da terceirização, a responsabilidade continua sendo minha. Tenho de manter na minha equipe gente que fala tanto o idioma técnico quanto o de negócios, para gerir o contrato de outsourcing. Não é um perfil fácil de ser encontrado”, afirma. Por enquanto, a Ticket não tem intenção de mudar o seu modelo híbrido, mas Ferreira faz benchmarking anual, o que pode significar uma eventual troca de parceiro ou de estratégia.
Na MDS, consultoria de seguros nacional pertencente aos grupos Suzano (BR) e Sonae (PT), o gerente de TI da empresa, Mauro Bentes, relata que, por estratégia de segurança e continuidade de negócios, todos os sistemas utilizados na companhia estão no site externo, mantido em parceria com a Diveo. “Nosso coração está lá, porque em uma empresa que vende seguros os sistemas são o core e a informação é o maior ativo.” Com os servidores no data center externo, ele diz que um dos principais benefícios é conseguir manter o sistema no ar mesmo que haja imprevistos, como queda de luz ou quando a matriz para.
Crescendo muito por aquisição – só em 2009 foram incorporadas duas companhias de grande porte -, a MDS encontrou na terceirização a solução ideal para integrar as unidades de negócios em uma única base. “Ganhamos em desempenho, com servidores de ponta e sem investimento inicial muito alto”, avalia Bentes. Para não cair na armadilha de relaxar quanto às suas responsabilidades, a MDS montou internamente um time que acompanha o contrato. “Administração de hardware está a cargo do parceiro. Nós cuidamos da gestão de sistemas”, diz, explicando que a opção adotada é de colocation sem compartilhamento de recursos. A exemplo da Ticket, a MDS decidiu manter internamente uma estrutura de servidores para serviços qualificados como não fundamentais para continuidade do negócio.
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