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TIM renova conselho e enxerga concorrência como estímulo

Entrevista com o novo chairman do grupo, o romano Gabriele Galateri di Genola

Publicado: 30/04/2026 às 13:11
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9 minutos
TIM renova conselho e enxerga concorrência como estímulo
Construção civil — Foto: Reprodução

Os acionistas da Telecom Itália podem até ter intuído,

mas o fato é que quando designaram como novo chairman do grupo, o romano

Gabriele Galateri di Genola, acertaram em cheio. Poucos executivos de

alto nível podem apresentar experiência igual em ambientes de mercados

financeiros do que Galateri. Ex-chairman do Mediobanca, ex-CEO e

ex-diretor financeiro da Fiat, ele começou sua carreira como diretor do

departamento de análises financeiras do Banco de Roma e logo depois

assumiu o escritório internacional de financiamentos da instituição.

Muito adequado para timonear a companhia neste oceano revolto

continuamente pela crise econômica que sacode o planeta desde meados do

ano passado.

Toda a sua abordagem passa pela eficiência e

rentabilidade. “Quem chega na frente não necessariamente é quem ganha

mais clientes”, analisa o italiano de 61 anos, disfarçando a origem na

fala tranqüila e firme, sem o calor tradicional de seus conterrâneos.

Gabriele Galateri também é firme ao esclarecer que as relações com a

Telefônica estão restritas ao conselho da Telco, onde a espanhola é

minoritária. Por sua vez a Telco detém 24,5% do capital da TI, sem

controle, especialmente nas operações de celulares no Brasil. Sobre o

País, apressa-se a declarar grande amor, reminiscente do tempo em que

trabalhou no bem-sucedido desembarque da Fiat com a construção da

fábrica de Betim, MG. Galateri concedeu esta entrevista exclusiva à

Gazeta Mercantil e ao Jornal do Brasil na sede da TIM no Rio de

Janeiro.

Gazeta Mercantil – O senhor assumiu uma grande

responsabilidade ao ser designado chairman da Telecom Itália há quase

um ano. Quais são as suas expectativas e desafios também como novo

presidente do board da TIM Brasil?

Antes de tudo eu preciso dizer que amo o Brasil. Tenho

vasta experiência aqui, há 30 anos eu era responsável no grupo Fiat

pelas operações financeiras nas Américas. Eu vinha muito ao Brasil.

Acompanhei a construção da fábrica de Betim (Minas Gerais), um

investimento muito grande. Essa história serviu-me como exemplo.

Assimilei ali o potencial do País, a capacidade e o entusiasmo das

pessoas. Estou muito feliz de voltar, pois este País é muito importante

para a Telecom Itália. O Brasil é responsável por 17% do total de

operações da TIM no mundo e 59% das operações internacionais da

companhia. O maior mercado da TIM está na Itália, depois vem o Brasil.

Temos presença em outros países da América Latina e Europa atendendo a

mais de 60 milhões de clientes. Mas definitivamente, o Brasil é o mais

importante na escala de investimentos externos da companhia. São cerca

de 10 mil funcionários diretos e mais de 37 mil indiretos. Investimos

nos últimos dez anos mais de R$ 19 bilhões e pretendemos colocar mais

R$ 7 bilhões nos próximos anos. Espero poder contribuir bastante para o

sucesso da empresa aqui e a gestão operacional da TIM Brasil fica a

cargo de Mario César Pereira de Araújo.

Gazeta Mercantil – A TIM enfrenta concorrência muito

acirrada. No mês passado, a Claro ganhou o 2 lugar. Como o senhor

pretende reverter esse quadro?

A TIM tem uma história de sucesso nesse ramo de negócios

e a vitória não é medida apenas por quem ganhou mais ou menos clientes,

mas sim pela eficiência do serviço prestado e a rentabilidade de suas

operações. Na minha opinião, o fato de existir mais concorrência não é

ruim, na Itália não é diferente. Sempre convivi em situações assim,

especialmente no setor de bancos. A concorrência faz uma companhia ser

eficiente. É um estímulo. Uma oportunidade para ser melhor. Temos que

ser capazes de oferecer o melhor serviço ao consumidor, esse deve ser o

objetivo de qualquer empresa. A TIM tem que ter isso em mente. O fato

de outras empresas estarem se aproximando de nós é um estímulo. Nós

trouxemos novas pessoas para a liderança e elas estão levando a empresa

para um novo patamar. Não tenho medo. Uma corrida sempre tem vários

vencedores. Quem vence não é aquele que apenas ganha market share. É

quem satisfaz o cliente em margens rentáveis.

Gazeta Mercantil – Há alguma possibilidade de a TIM se aproximar mais da Telefônica no Brasil com novas parcerias?

Este é um ponto muito importante para esclarecimentos. A

TIM está listada na bolsa brasileira e também na Itália. Para ambos os

mercados estão sendo desenvolvidas as melhores estratégias possíveis. A

Telefônica entrou no cenário quando da reestruturação societária da

Telecom Itália, processada em abril do ano passado. Foi criada a

holding Telco S.p.a. que detém 24,5% do capital da TI. A Telefônica

detém uma participação minoritária de 42,3% na Telco, enquanto

investidores italianos são majoritários com 57,7% dessas ações. Além

disso, o acordo de acionistas da Telco assegura a administração

autônoma e independente das atividades empresariais dos grupos Telecom

Itália e Telefônica. O acordo tem abrangência para todos os mercados

onde os dois conglomerados forem competidores, assim como no Brasil.

Por isso, os membros do conselho de Administração da TI que foram

indicados pela Telefônica são excluídos de qualquer discussão ou

votação relacionadas à TIM no Brasil. Assim posso garantir, ao

contrário do que às vezes é confundido pela imprensa, as operações

brasileiras são totalmente independentes da VIVO e da Telefônica.

Gazeta Mercantil – Como o senhor acha que a chegada do iPhone e a tecnologia 3G irão afetar as operações da TIM no Brasil?

Nós vendemos o iPhone na Itália e fomos os responsáveis

pela introdução do produto no mercado italiano. Também estamos

finalizando negociação com a Apple para vender o iPhone aqui no Brasil.

Queremos estar perto da tecnologia e o fato de não o vendermos ainda

não significa que desistimos e perdemos a corrida pela inovação. Essa

questão não me preocupa.

Gazeta Mercantil – Como o senhor enxerga a convergência de mídia e

comunicação? Telefones fixos, celulares, internet e televisão tudo será

uma coisa só?

Acho que este é um processo a longo prazo no mundo. Essas

discussões estão acontecendo no Brasil, na Itália, em todo o mundo.

Estive em diversas reuniões com instituições e autoridades, mas ainda

há muito para se entender como o mercado vai se comportar e como será a

regulamentação oficial. Mas não podemos perder de vista a busca de

eficiências em todos os segmentos. As autoridades brasileiras têm se

mostrado abertas para essas questões. Espero que esse processo seja

rápido.

Gazeta Mercantil – Nesse sentido a Telecom Itália considera fazer algum novo investimento no Brasil?

Você sabe o que está acontecendo no mundo, a crise que

está assolando os mercados financeiros espalha muitos temores nos

mercados. Mas a América do Sul e o Brasil ainda oferecem muitas

oportunidades. O Brasil gera enorme confiança para a Telecom Itália. É

um país com segurança institucional, as instituições são estáveis, a

prosperidade tem se consolidado com o crescimento da classe média e as

boas perspectivas da indústria do petróleo. As autoridades públicas têm

demonstrado grande capacidade de gestão…

Gazeta Mercantil – O senhor pensa em trazer para o Brasil alguma das operações que mantém na Itália, como Matrix e outras?

… Temos aplicações interessantes na Itália, como

serviços e produtos voltados para telemedicina ou segurança. Temos a

possibilidade de desenvolver algo semelhante no Brasil, mas ainda não

há nada definido. Outro produto interessante a explorar é a IpTV, mas

talvez seja um pouco cedo ainda.

Gazeta Mercantil – O senhor disse que acredita muito na

capacidade das autoridades brasileiras. Qual a extensão dessa crise e

quais são os impactos aqui?

Tem-se falado muito nisso e eu não sou um especialista,

mas posso fazer alguns comentários. Essa crise veio dos Estados Unidos,

basicamente por causa da especulação do mercado imobiliário que

apresenta uma contínua redução nos valores de ativos com repercussões

em todo o sistema financeiro. Eu gosto de ser otimista, mas hoje é

preciso ser realista. Não é possível imaginar que a Europa, a China e

também o Brasil vão ficar alheios ao problema. Acredito que o governo

está sendo capaz de manter a estabilidade econômica, mas certamente o

crescimento para o pró-ximo ano ficará num ritmo menor ou igual a 4%.

Gazeta Mercantil – A crise pode afetar diretamente as operações da TIM no Brasil?

É claro que a crise vai afetar a todos, mas o mercado

interno brasileiro que tanto se desenvolveu nos últimos anos é muito

forte e vai continuar exigindo investimentos em novas tecnologias e em

aprimoramento da eficiência. Nós estaremos atentos a isso.

Gazeta Mercantil – O senhor acha que o novo telefone

celular lançado pelo Google pode, assim como na internet, estabelecer

um novo padrão na telefonia móvel e representar uma ameaça?

Como eu disse, concorrentes precisam ser encarados por

nós como um estímulo. Mas uma boa amostra da nossa capacidade de

competir com inovação é o serviço TIM Casa que na residência ou

escritório, faz o celular funcionar como telefone fixo.

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