O encolhimento das carreiras tradicionais de tecnologia, somado ao avanço da inteligência artificial (IA) sobre funções de entrada, está empurrando jovens profissionais para caminhos cada vez mais informais e ilegais. Um levantamento da Kaspersky, divulgado pelo TechRadar, revela que recém-formados e trabalhadores em início de carreira têm recorrido ao mercado de trabalho no dark web […]
O encolhimento das carreiras tradicionais de tecnologia, somado ao avanço da inteligência artificial (IA) sobre funções de entrada, está empurrando jovens profissionais para caminhos cada vez mais informais e ilegais. Um levantamento da Kaspersky, divulgado pelo TechRadar, revela que recém-formados e trabalhadores em início de carreira têm recorrido ao mercado de trabalho no dark web em busca de oportunidades que não encontram no setor formal.
A pesquisa indica que a disputa por vagas nesse ecossistema clandestino é acirrada: há mais candidatos do que ofertas, uma proporção de 55 para 45. Grande parte desses postulantes (69%) aceita atuar em qualquer área para garantir renda.
O dado mais alarmante é a idade média: 24 anos. O cenário aponta para uma geração de profissionais qualificados que, sem conseguir vencer processos seletivos cada vez mais rígidos ou competir com ferramentas de IA, acaba oferecendo suas habilidades contra o próprio setor de cibersegurança.
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Apesar do ambiente de risco, o relatório mostra que algumas funções no dark web são especialmente lucrativas. Especialistas em engenharia reversa podem faturar cerca de US$ 5 mil mensais, enquanto testadores de invasão chegam a US$ 4 mil e desenvolvedores a US$ 2 mil. A remuneração e a rapidez de contratação, sem entrevistas, testes de RH ou exigência de diplomas, atraem jovens que enfrentam dificuldades crescentes para entrar no mercado tradicional.
Segundo Alexandra Fedosimova, da Kaspersky, muitos desses candidatos enxergam uma dinâmica semelhante ao setor legal, onde competência técnica pesa mais que formação formal. Ela observa, porém, que a aparente facilidade mascara o custo real: envolvimento direto com crimes cibernéticos e risco de prisão.
A retração de vagas júnior no setor de TI, cortadas pela adoção acelerada de IA e por modelos de eficiência operacional, tem ampliado esse desvio de talento. Enquanto empresas economizam reduzindo posições de entrada, o mercado clandestino se beneficia e constrói um pipeline de profissionais avançados fora do alcance das organizações.
Sem posições júnior para formar sucessores e com aposentadorias previstas na próxima década, o setor de segurança corporativa poderá enfrentar uma escassez crítica de profissionais experientes. Ao mesmo tempo, o dark web tende a consolidar ofensores cada vez mais sofisticados, alimentados pela mesma base de talentos que a indústria convencional deixou escapar.
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