O Brasil ainda é muito conservador na adoção do teletrabalho, seja por questões legais, seja por falta de cultura da corporação
Esqueça a maneira atual de se trabalhar. O meio formal e físico pode ficar no passado se a sua empresa decidir seguir uma tendência que, puxada por companhias de tecnologia, começa a ganhar força em outras áreas. O novo conceito prega que as tarefas podem ser realizadas a partir de qualquer lugar e a todo instante. O trabalho remoto – ou teletrabalho como alguns preferem chamar -, no entanto, requer alguns pré-requisitos para ser bem-sucedido. Esta foi a discussão do painel Trabalho Remoto, na tarde desta quarta-feira (27/06), no IT Conference 2007.
Se por um lado a tecnologia muda o comportamento das empresas, por outro, existe a legislação brasileira ainda precisa sofrer ajustes para se adequar à nova realidade – mesmo que distante. “No Brasil, isto ainda é visto com muito receito e realizado de maneira conservadora”, salienta Luís Minoru Shibata, diretor-geral do Yankee Group para América Latina. A discussão sobre inserir ou não a empresa no teletrabalho passa pelo alinhamento com as estratégias de negócios, nas quais o gestor terá de colocar na balança as vantagens e desvantagens. Outro aspecto é a infra-estrutura de TI necessária para suportar de maneira segura este modelo.
Além deste entraves, a discussão sobre a lei trabalhista não pode ser ignorada nas companhias, uma vez que legislação do País não prevê este tipo de trabalho. Mas esperar que o governo tome a dianteira para fazer as alterações solicitadas pelas corporações não é o melhor caminho na visão do diretor de recursos humanos da HP, Jair Pianucci. “As companhias têm sido mais eficientes em reclamar do que em fazer propostas”, argumenta.
A partir do momento que os jovens – trazendo toda mudança comportamental própria da geração – ingressarem no mercado de trabalho esta transformação será latente. “A expressão ‘ir ao trabalho’ ficou ultrapassada”, exemplifica Pianucci. Outro conceito que começa a ser quebrado é o de divisão entre vida profissional e pessoal. “Separar os dois ficou difícil. E não é mais para falar ou um ou outro; mas sim buscar a união dele, conciliando os dois mundos.”
Mas isto significa transformar-se em uma profissional disponível 24×7? Minoru acredita que as novas tecnologias ajudam a distribuir melhor o tempo e proporcionam mais qualidade. Mauricio Dall’Aqua, gerente de TI da Avaya Brasil, concorda e complementa explicando que o fato de a Avaya ter implementado a modalidade de trabalho remoto facilita seu dia-a-dia, já que seu chefe está sediado em Singapura.
Segurança
Se no ambiente tradicional, as ameaças preocupam qualquer diretor de TI, o que fazer quando se tem parte da empresa trabalhando remotamente? Todos os três integrantes do painel concordam que mais eficaz que implementar soluções sofisticadas, é conscientizar o funcionário. “Vazamento da informação pode acontecer mesmo quando investimento em segurança. Nós temos autenticação VPN, criptografia e máscara de rede”, exemplifica Dall’Aqua.
Minoru defende que não importa a tecnologia ou os mecanismos adotados, se o colaborador quiser tirar informação da companhia, ele vai fazê-lo. Pianucci é mais radical. Temos de proteger a empresa contra agressores externos, porque o funcionário leva embora todos os dias o mais importante: ser cérebro.”