A capacidade da tecnologia de transformar um comando em ação foi o que inicialmente brilhou os olhos de Tamara Rinaldi Gussiardi para seguir na profissão. E o que ela buscava fazer com a ferramenta, era, na realidade, o que queria na vida real. Até hoje, a executiva olha para a tecnologia como um meio para […]
A capacidade da tecnologia de transformar um comando em ação foi o que inicialmente brilhou os olhos de Tamara Rinaldi Gussiardi para seguir na profissão. E o que ela buscava fazer com a ferramenta, era, na realidade, o que queria na vida real. Até hoje, a executiva olha para a tecnologia como um meio para melhorar a vida das pessoas.
“Quem é de tecnologia é muito às vezes apaixonado pelo produto, né? Mas eu gosto de inspirar meus liderados a pensar no que essa ferramenta vai trazer de melhor para o consumidor, o colaborador a até para a estratégia da empresa.”
A atual head de TI da Nestlé Brasil decidiu cedo o que queria fazer, entrando em uma escola de computação aos 12 anos. Dois anos depois, trabalhando como assistente de telefonia em uma empresa de advocacia, criou um sistema para ajudar o local a controlar os processos jurídicos publicados no Diário Oficial. “Me lembro de pensar ‘Poxa, que legal, posso usar a tecnologia para transformar a vida das outras pessoas’”.
Formada pela PUC-Campinas em análise de sistemas, Tamara foi a primeira de sua família a ir para a faculdade. Na época, a executiva conta que a disparidade entre homens e mulheres não era tão grande na entrada do curso, mas que muitas meninas iam desistindo ao longo do caminho.
Na sua própria jornada ela afirma que o foco e a paixão foram fundamentais para seguir até o final, mas também atribui grande parte de sua conquista ao apoio dos pais e à inspiração que tinha na avó. Muito independente, a matriarca da família sempre incentivou que todas as netas trabalhassem e tivessem seu próprio sustento.
Apesar de trabalhar desde os 14 anos, Tamara só foi realmente atuar na área de tecnologia durante a faculdade. Primeiro com um estágio realizado por meio da Fundação Bradesco na GLab, e depois, trabalhando como consultora na DataSul, empresa da região de Campinas.
Foi ali que head de TI aprendeu a lidar com diferentes tipos de públicos e abrindo as portas para as próximas organizações que viriam em sua trajetória antes da Nestlé: Unilever, Renault, Atlas Schneider, entre outras.
A cada nova empresa, a executiva reavivava uma aptidão que ela tinha desde criança: o da liderança. E, enquanto mulher, o jeito direto e decidido da avó ajudou nos momentos em que precisava de referência para se posicionar.
“Nós sabemos que as mulheres sempre têm um esforço a mais nessa trajetória. E acredito que importante aprender a se posicionar, passar a mensagem com clareza e segurança.”
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Além de participar da associação MCIO, dentro da própria Nestlé a executiva auxilia outras mulheres a desenvolverem essas habilidades, por meio do grupo Mulheres Empoderadas, que conta com mentorias de uma mulher para outra. Inclusive, quando pergunto sobre sua forma de liderar, “inclusiva” é o primeiro adjetivo citado pela head de TI.
“Eu sou uma líder que gosta de dar a palavra para todo mundo, de ter um espaço de escuta ativa no que as pessoas têm para me dizer.”
Ao seu estilo de gestão, ela inclui ainda a priorização e a organização como essenciais. As habilidades foram ainda mais aprimoradas durante a maternidade já que, se hoje Tamara é mãe de um menino de 14 anos, quando entrou na Nestlé, ele tinha apenas cinco meses. Segundo ela, o período foi um dos mais intensos de sua vida, mas também trouxe aprendizados valiosos.
“Nós não podemos romantizar. Era uma época em que eu estava começando aqui, então tinha muito o que provar ainda. Foi preciso ter disciplina, organizar meus horário e claro, é superimportante ter uma rede de apoio e que o marido faça a parte dele.”
Além do filho, a executiva também tem dois enteados, ambos maiores de idade e que também seguiram na área de Tecnologia. Aos contar sobre os dois, Tamara fala sobre a importância de se acreditar em um sonho. “Isso não é só para tecnologia, mas eu acho que a gente não pode desistir do sonho. Sempre falei para a minha enteada mais velha e outras mulheres da companhia: lute pelo que você acredita, busque outras mulheres para se inspirar e faça.”
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