TI precisa avaliar e adotar ferramentas de gestão de mobilidade para tirar vantagem da consumerização de TI
A mobilidade está invadindo todas as áreas com o número de assinantes atingindo cinco bilhões, quase 74% da população global, no final de 2010. Embora dispositivos como smartphones e tablets sejam a minoria das conexões atuais, eles mudam a forma como consumidores e corporações enxergam e usam um aparelho móvel. A mudança para uma cultura de mobilidade cria três tendências que mudaram a paisagem corporativa.
Primeiro, a fragmentação de dispositivos móveis e sistemas operações deve continuar. Diferente do que se assistiu com Windows no mundo PC, nenhuma plataforma deve dominar o cenário de forma completa nos próximos três anos. Temos ao menos dez sistemas operacionais móveis em atividade, com variantes de Android, BlackBerry, iOS, Symbian e Windows Mobile. Embora com o tempo essa quantidade tenda a diminuir a TI precisa aprender a lidar com ao menos dois ou três, assim como diversos tipos de dispositivos.
Como segunda tendência, apontamos os funcionários trazendo seus próprios devices para o ambiente de trabalho. Mais de 30% dos empregados entrevistados em setembro disseram usar algum aparelho pessoa, como smartphone ou tablet, no escritório atualmente. Ainda que muitas empresas tenham políticas que proíbam o acesso a dados da companhia em dispositivos pessoais, os aparelhos entram nas redes das corporações não importante as regras impostas pela TI. Como resultado, o departamento deve revisar as políticas móveis e dispor de ferramentas de segurança e gerenciamento para suportar múltiplas plataformas.
Um ponto importante desta tendência é que a maior parte da força de trabalho – não apenas os principais executivos – terá acesso móvel e demandará mais que acesso ao e-mail. Isso pedirá mudanças nos aplicativos, desenvolvimentos e serviços estratégicos.
Aplicações de usuários finais são móveis e os funcionários esperam que os softwares corporativos sigam esta onda. Infelizmente, muitas empresas começaram o processo tentando replicar os ambientes desktops em smartphones ou tablets e, rapidamente, tiveram que abortar a missão. A estratégia de aplicação móvel não está no device e tampouco na aplicação. Ter sucesso implica em focar melhoria e mudanças de processos de negócios para criar vantagens competitivas nas operações.
A união de mobilidade e rede pede ainda que as corporações avaliem quais partes dos processos de negócios devem ou não ser acessadas por dispositivos portáteis. As empresas devem, também, reformular aplicativos para que tenham interface fácil e rápida. As aplicações de consumidores treinam os usuários para terem resultados em dois ou três cliques. Essas pessoas não vão gostar de acessar diversos menus em um aplicativo corporativo em smartphone para aprovar alguma coisa.
Dada as três tendências, a TI precisa de uma estratégia para tirar vantagem da consumerização que invade as companhias e, ao mesmo tempo, trabalhar para manter a segurança e a disponibilidade que o negócio demanda. Como mencionado no início, a TI precisa avaliar e adotar ferramentas de gerenciamento de mobilidade (EEM, da sigla em inglês). EEM é uma combinação de gestão de dispositivo, segurança, aplicações, serviços e despesas. O departamento terá que trabalhar com diversos fornecedores já que nenhum tem essa suíte completa.
Outro conselho para a TI é trabalhar em conjunto com os líderes das áreas de negócio para definição dos processos iniciais que devem ser mobilizados, quais aplicações estão associadas com tais processos e como os aplicativos funcionarão quando desconectados da rede interna. As empresas devem ranquear o lançamento das aplicações pela definição de resultados esperados. Por exemplo, isso vai ajudar melhorar ciclos de billing, contribuir com fechamento de vendas ou ajudar no atendimento ao consumidor? Em alguns casos, será preciso criar um aplicativo composto com informações coletadas de várias fontes de dados.
A decisão de quando desenvolver aplicativos para rodar de forma nativa ou via web é mais complicada e muitas empresas precisarão de uma combinação das duas. As nativas oferecem acesso completo às funcionalidades, os benefícios são acesso mais rápido e possibilidade de visualização offline. Ela também permite integração com outras aplicações nativas como agenda. O desenvolvimento baseado em web, por outro lado, permite rodar em diversas plataformas e é um processo mais rápido, já que os desenvolvedores precisam apenas escrever o código para internet, em vez de escrever e testar para um sistema específico.
Teoricamente, a TI buscaria uma aplicação que pudesse rodar em todos os smartphones e tablets em vez de ter uma nativa. O mercado dispões de frameworks de desenvolvimento móvel de empresas como PhoneGap e Rhomobile e plataformas de aplicações corporativas como Antenna Software, Pyxis, Sybase e Syclo. Normalmente, os frameworks focam HTML-5, CSS e Java para criar algo nativo para cada sistema. Já as plataformas oferecem ferramentas e midlleware para desenvolvimento móvel.
Antes de escolher sua abordagem, as empresas devem considerar os prós e contras de cada uma. As plataformas, por exemplo, têm aplicações pré-desenvolvidas em áreas mais fáceis como automação de vendas, os frameworks não. Elas também oferecem nível de segurança e gerenciamento que não existe nos frameworks. Por outro lado, criar em frameworks é considerado algo mais aberto e muitos são baseados em tecnologias open source. Ambos os produtos têm suporte cross-platform.