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Trocando Northwood por Prescott

Embora o upgrade de CPU em uma mesma placa mãe tenha sido muito popular no passado, a tendência com a freqüente troca de soquetes e especificações dos processadores é que essa prática se torne cada vez mais rara. Vejam o caso do soquete 462 da AMD (ou soquete A, como também é conhecido): ele existe […]

Publicado: 12/05/2026 às 14:37
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Trocando Northwood por Prescott
Construção civil — Foto: Reprodução

Embora o upgrade de CPU em uma mesma placa mãe tenha sido muito popular no passado, a tendência com a freqüente troca de soquetes e especificações dos processadores é que essa prática se torne cada vez mais rara.

Vejam o caso do soquete 462 da AMD (ou soquete A, como também é conhecido): ele existe há pelo menos três anos, desde o lançamento do Duron e da primeira versão do Athlon, com núcleo ThunderBird. De lá pra cá, mudou o FSB (de 100 para 133, depois 166, e mais recentemente 200 MHz), mudou o núcleo (Palomino, depois T-Bred, Barton e agora os núcleos do Sempron), mudou as memórias (iniciou em SDR, depois DDR e por último DUAL DDR), ou seja, quem comprou a primeira placa mãe para Duron/Athlon, como eu fiz, ficou limitado a poucos processadores no caso de um upgrade, embora o soquete não tenha mudado.

Minha esposa tem uma ABIT KT7-R que já foi minha, uma placa fantástica na época, em 2001, com o chipset KT133 e suporte apenas ao FSB de 100 MHz, ao contrário do seu sucessor KT133A que já suportava os T-Birds de 133MHz. Embora a ABIT tenha atualizado a BIOS dessa placa até cerca de um ano atrás, as ofertas de processadores se limitam a poucos modelos e a uma freqüência real máxima de 1400 MHz por causa da limitação de multiplicadores e FSB.

O Pentium 4 soquete 478 também passa pelas mesmas transformações desde os primeiros chipsets i845 que o suportavam até os ainda recentes i865 e i875 com suporte ao FSB de 800MHz e HyperThreading, inexistentes nas primeiras versões. Ou seja, não importa muito qual o soquete que sua placa usa, o que vai determinar as possibilidades de upgrade na CPU é a oferta de processadores com tecnologias compatíveis.

O chipset i865PE é um dos grandes sucessos da Intel, e há ótimas placas no mercado com esse chipset, inclusive usando os novos soquetes LGA775. Entre suas características mais marcantes está o uso de memórias Dual Channel, o suporte ao HyperThreading, ao FSB de 800MHz e as controladoras Serial ATA nativas. Para quem gosta de overclock, esse chipset pode operar em até 275 MHz com bastante estabilidade (FSB de 1100 MHz), memórias DDR550 em Dual Channel, e ainda há a possibilidade de habilitar o PAT (oficialmente só existente no i875) em algumas placas, o que mostra a grande versatilidade do produto.

No nosso caso, estamos falando de uma ABIT AI7 revisão 1.0 comprada no final de 2003 e que recebeu na época um Pentium 4 3.0 GHz com núcleo Northwood e duas memórias Kingston ValueRAM DDR400. Uma configuração excelente para a época e que ainda é atual. Essa placa tem ótimos recursos para overclock e há a possibilidade de habilitar o PAT, usando alguns truques na BIOS. Operei com ela sem overclock e com o PAT ativo até dezembro de 2004, e estava muito satisfeito com a máquina.

Porém, o soquete 478 está acabando, e só existem no mercado modelos Prescott até 3.4 GHz e alguns raros e caríssimos modelos Extreme Edition (núcleo Gallatin) também até 3.4 GHz. Outra opção só no soquete LGA775, o que implicaria na troca da placa mãe, e consequentemente a reinstalação de todo o ambiente de trabalho. Chegou a hora de se estudar um upgrade só na CPU e prolongar a vida útil desse equipamento, aumentando a sua performance, e uma das possibilidades que levantei seria operar com um Prescott em overclock.

Que tal um Prescott 3.6 GHz?

Os modelos Prescott são muito polêmicos. Desde que foram lançados, suas características térmicas foram muito criticadas pela imprensa especializada, além disso, sua performance comparando freqüências idênticas frente ao antigo núcleo Northwood não era melhor na maioria dos casos. Felizmente, foram lançados novos steppings (lotes de produção com nova revisão de núcleo) com características térmicas muito melhores do que as primeiras versões. Além disso a maioria dos softwares do mercado passou a integrar as novas instruções SSE3 que são exclusivas do Prescott. Novas BIOS para placas mãe aos poucos também foram sendo introduzidas melhorando o acesso à memória, muito beneficiada pelo cache de 1 MB do Prescott e seus novos processos de busca. Hoje não é difícil confirmar os benefícios do Prescott frente ao Northwood de mesma freqüência. Aliás, há muitas aplicações onde o Prescott é tão ou mais eficiente que o Pentium 4 Extreme Edition de mesma freqüência, já que o núcleo Gallatin é uma versão modificada do Northwood ainda sem as SSE3 e não evoluiu desde então.

Um dos modelos que passou pelo meu laboratório foi um Pentium 4 3.0 GHz com S-Spec SL7E4, que significa ser de um stepping D0, vejam as diferenças mais marcantes entre os S-Spec que podem ser encontrados para a versão de 3.0 GHz:

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Nessa tabela temos todos os modelos Pentium 4 3.0 GHz comercializados. Dois deles são Northwood (SL78Z e SL7WU, com núcleo de 130 nanômetros, marcados em rosa), três são para soquete 775 (em cinza), chamados de Pentium 4 530 conforme a nova nomenclatura, e os demais são do núcleo Prescott (90nm) para soquete 478, e são os que me interessam por isso estão marcados em azul, e o objetivo é escolher qual deles é o melhor para overclock.

Fazendo uma análise rápida para buscar o “melhor” processador, podemos descartar o SL79L por ser da primeira revisão do Prescott, o stepping C0. Ficamos então com 2 modelos “bons”, o SL7E4 do stepping D0 e o novo SL7PM do stepping E0, já que também podemos descartar o SL7KB por esse ter uma especificação de voltagem mínima superior ao do SL7E4, o que indicaria uma menor possibilidade de overclock.

Entre o stepping D0 do SL7E4 e o E0 do SL7PM há inúmeras diferenças importantes, já que o E0 tem recursos similares ao Athlon64 como o bit NX, o suporte a 64 bits e o controle de gerenciamento térmico similar ao Cool’n’Quiet da AMD. Então a escolha obvia é pelo E0, correto?

Errado. O stepping E0 tem tudo isso, mas na versão para soquete 478 tudo isso está desabilitado. Infelizmente ainda não testei nenhum modelo E0 para comprovar sua eficácia em overclock, mas pela internet não encontrei indícios de que ele seria melhor do que o D0, especialmente o SL7E4, e a resposta para minha escolha está na análise dos modelos superiores, de 3.2 GHz.

O modelo superior ao SL7E4 é o SL7E5 de 3.2 GHz, que mantém exatamente as mesmas características do modelo 3.0 GHz. Já no caso do E0 SL7PM seu sucessor SL7PN de 3.2 GHz teve o TDP elevado para 103 watts, ou seja, quando comparamos as versões de 3.2 GHz, sabemos que o E0 dissipa mais calor do que o D0. A melhor opção, portanto, é pelo D0 SL7E4, que para minha sorte foi o modelo que tínha em mãos no laboratório.

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O Prescott do step D0 operando com FSB em 260MHz e voltagem original. Nada mal…

Enquanto o processador estava na minha bancada para testes com memórias e outros componentes, comprovei sua incrível capacidade de overclock operando em 3.9 GHz em total estabilidade, com a voltagem original e um cooler Zalman 7000Cu. Não se surpreendam, o núcleo Prescott foi desenvolvido para operar em até 4 GHz com a voltagem original, e há modelos 3.6 GHz com esse mesmo stepping no soquete 775 utilizando o cooler box da Intel e a voltagem original.

Fiquei tão impressionado que assim que terminamos os testes tratei de vender meu velho Northwood de 3.0 GHz que estava na minha máquina pessoal para adquirir junto ao fornecedor esse fantástico Prescott para meu uso. Valeu a pena, pois consegui vender a um bom preço o processador antigo, e a diferença para o novo nessa transação foi de apenas 100 reais, já que ambos são modelos 3.0 GHz.

Aproveitei também para vender minhas duas Kingston DDR400 de 512MB cada, que não eram muito boas para overclock, para adquirir duas GEIL Ultra-X DDR400 também de 512MB cada, com chips Samsung TCCD. São memórias ótimas para overclock e operam com baixas latências, só que custam bem mais caro do que as memórias tradicionais, quase o dobro. A diferença de dinheiro na troca não foi pequena, mas valeu a pena, pois eu precisaria delas para operar em 240 MHz e latência baixa (2.5-3-3-6) como eu previra antes de adquirir o processador.

Meu objetivo agora era usar esse Prescott na minha AI7 em overclock para 3.6 GHz, deixando uma boa margem de segurança e mantendo a dissipação térmica sob controle em um gabinete fechado. Apesar de essa placa suportar as necessidades elétricas do Prescott, há um conseqüente aumento de temperatura nos circuitos de alimentação, que passam da faixa de 45°c a 60°c quando operavam com o Northwood 3.0 GHz para 55°c a 80°c quando colocamos o Prescott em 3.6 GHz.

A ABIT assegura o funcionamento desses circuitos em até 120°c, mas não é bom abusar. Adquiri com a StormSystem – www.stormsystembr.com um kit de dissipadores de alumínio para os mosfets do circuito de potência que em função da grande ventoinha do cooler Zalman 7000Cu iriam ser bem arrefecidos pelo fluxo de ar residual. O produto vem com uma fita térmica adesiva e é bem fácil de instalar, como resultado obtive uma redução de temperatura nesse circuito para a faixa de 41°c até 69°c dependendo do uso da CPU, algo bastante satisfatório e bem similar ao que ocorria com o processador anterior.

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A placa com os dissipadores que a StormSystem me enviou, os resultados foram muito bons.

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A temperatura da CPU também subiu com a troca dos modelos, como era esperado, antes operava entre 45°c e 60°c, e agora entre 53°c e 69°c, ainda dentro da margem de segurança do modelo Prescott.

Foi necessário atualizar a BIOS da placa mãe para a versão 1.9 que reconhece corretamente esse novo stepping e suas características de voltagem. Essa atualização permitiu operar com a voltagem original com FSB em 240 MHz, usando as latências em 2.5-3-3-6 como e ainda habilitando o PAT, fazendo uso do NB STRAP em 667MHz. Com isso tudo, tivemos ótimos resultados no desempenho global, e ganhos em todas as aplicações sem comprometer a funcionalidade e segurança do sistema. Para efeito de comparação, o resultado é superior ao que seria obtido por um modelo 3.6 GHz original caso ele existisse em função do barramento de memória estar acelerado em 20%.

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A GEIL Ultra-X usa chips Samsung TCCD e são excelentes para overclock, nessa foto temos 2 módulos de 512 MB fornecidos pela WAZ –

www.waz.com.br

A um custo relativamente pequeno, foi possível atualizar esse sistema para os próximos dois anos, aproveitando uma rara oportunidade de encontrar um processador compatível e seguro para overclock. No próximo upgrade, certamente teremos que trocar a placa mãe, o processador, as memórias (para DDR2) e a placa de vídeo (para PCI-Express) independente de qual plataforma seja adotada, ou seja, é praticamente um computador novo. Sem dúvida alguma foi muito compensadora essa troca de processadores, e muito oportuna, pois com o fim do soquete 478 em poucos meses dificilmente encontraríamos bons modelos para overclock.

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