Conheça todos os detalhes sobre o notebook ultrafino lançado pela Apple na semana passada, a partir desta reportagem do Computerworld americano.
Quando o CEO da Apple, Steve Jobs, tirou o MacBook Air de um envelope tipo memorando, o público presente à Macworld Conference & Expo delirou. E aplaudiu. E alguns até fizeram o clássico shout-out.
O que os empolgou foi o mais fino Mac jamais criado, a verdadeira estréia da Apple no chamado mercado de subnotebooks. Mas o que é exatamente o MacBook Air? Muitas perguntas pipocaram assim que Jobs pegou o MacBook Air de alumínio de apenas 1,361 kg e o ergueu no ar. Eis as respostas.
Qual é a diferença entre o MacBook Air e outros modelos da linha MacBook?
Essa é fácil. Preço: o Air custa cerca de 650 dólares mais do que um MacBook mais veloz quando este é equipado com 2GB de RAM de terceiros. Espessura do gabinete: o Air é apenas uma apara de madeira comparado ao MacBook. Peças internas: o Air não tem várias, como drive ótico e porta Ethernet, mas ganhou outras, como o trackpad com suporte a múltiplos toques (multi-touch). Peso: o Air pesa 1,361 kg, enquanto o MacBook de tamanho similar pesa 2,268 kg.
O Air é realmente o notebook mais fino do mundo, como afirmou Jobs?
Parece que sim. Com apenas 0,4 cm na parte mais fina – onde, presumo, a Apple botou a fita métrica – o Air bate a espessura mínima de rivais por ampla margem. O Sony Vaio TZ, por exemplo, mede 2,0 cm na parte mais grossa, enquanto o Latitude X1 da Dell é ainda mais volumoso, 2,5 cm. Até o Asus Eee é mais corpulento. Na realidade, a parte mais espessa do Air (perto da dobradiça), com 1,9 cm, é mais fina do que a parte mais fina dos modelos da Sony, Dell ou Asus Computer International. Jenny Craig sentiria orgulho.
Que processador move o Air?
Em meio a um mistério, a Apple e a Intel apenas deram pistas de sua identidade, dizendo que o Core 2 Duo que havia dentro do Air era 60% menor do que o padrão. Os compradores têm duas opções: o processador de 1.6 GHz ou a versão ligeiramente mais veloz, de 1.8 GHz, que custa mais 300 dólares.
Jobs e Paul Otellini, CEO da Intel, dividiram o palco por alguns instantes, mas nenhum deles deu detalhes do chip. Eles não especificaram o processador exato, se faz parte do road map anunciado pela Intel ou mesmo se é um dos novos produtos de 45 nanômetros ou um processador 65nm mais antigo.
Mas muita gente tentou tirar a máscara do cérebro do Air. O site x86watch.com, comandado por Brooke Crothers, ex-analista da IDC (e ex-editor do InfoWorld), sustenta que os processadores são especiais, “fora do road map”, e não terão a nomenclatura usual da Intel. Segundo o site de notícias de hardware AnandTech.com, que corroborou a natureza única das CPUs do Air, parece que os processadores são Meroms (uma das linhas móveis da Intel) customizados. O AnandTech, porém, não ficou convencido que o chip fosse da arquitetura Penryn 45nm.
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Uma porta-voz da Intel, Connie Brown, confirmou que o chip é um membro customizado da família Merom e, portanto, um design 65nm. E, embora a Intel tenha fabricado o processador para a Apple, ele não é exclusivo. “A Apple nos procurou e pediu soluções de empacotamento agressivas”, conta Brown, e a Intel ficou muito feliz em atender o pedido. “Mas disponibilizaríamos o processador para outras revendas se elas quisessem.”
Brown também confirmou a especulação do x86watch.com de que o TDP (Thermal Design Power), que registra o volume máximo de calor em watts com o qual o sistema de refrigeração de um computador é capaz de lidar, é de 20 watts. É bem mais eficiente do que os 35 watts dos processadores móveis padrões da Intel.
Posso acrescentar mais memória?
Não. Próxima pergunta.
Por que não?
A Apple não está dizendo, mas, seguramente, é pela mesma razão que a bateria não pode ser trocada pelo usuário: o design do laptop, em especial o tamanho diminuto, impede o acesso do usuário a RAM. Na verdade, os 2GB de memória padrão -não expansíveis – do Air são soldados à placa-mãe de 3 por 6 polegadas. Obviamente, é só uma questão de tempo até algum lunático com um ferro de soldar tentar um upgrade do tipo faça você mesmo. A advertência usual se aplica aqui: não faça isso em casa (ou em nenhum outro lugar) se você preza a garantia.
OK, mas e quanto à bateria? Eu mesmo posso substituir?
Negativo também. A energia do MacBook Air, como a Apple informa enigmaticamente no seu web site, vem de uma “bateria de polímero de lítio de 37 watts/hora integrada”. Ênfase na palavra “integrada”.
Usuários do Air terão que entregar suas máquinas à Apple para troca de bateria. (A propósito, a bateria ocupa toda a largura da máquina sob o apoio para o pulso e o trackpad.) De acordo com a página sobre troca de bateria fora da garantia no site da Apple, o trabalho sujo “normalmente demora cinco dias úteis”.
A página não menciona um sistema de empréstimo – que a Apple provê a usuários do iPhone quando estes trazem seu telefone para troca de bateria – e a empresa se desobriga de qualquer responsabilidade por dados perdidos. “A Apple e seus AASPs [Apple-authorized service providers] não são responsáveis por qualquer dano ou perda de aplicações, dados ou demais informações armazenadas no MacBook Air enquanto executa o serviço”, diz a página.
Isso significa que não posso levar uma segunda bateria no avião?
Você até pode levar uma segunda bateria, mas não para o Air. A Apple diz que o fornecimento de energia do Air é de cinco horas, mas, ao contrário de outros laptops, incluindo as linhas MacBook e MacBook Pro da própria empresa, quando estas cinco horas (ou qualquer que seja a duração no mundo real) terminam, você pode colocar o Air de volta na maleta. A menos que tenha desembolsado 49 dólares pelo Apple MagSafe Airline Adapter opcional e sua poltrona tenha uma porta de energia.
Cadê a porta FireWire? E Ethernet?
Inexistem, é óbvio. As únicas portas no esguio MacBook Air são uma porta USB, uma porta de interface de vídeo digital miniatura da Apple e uma saída de áudio para headphones ou ear buds. Não incluso: porta FireWire, Ethernet e USB adicional que a linha MacBook oferece. (Ah, e só tem um alto-falante. Nada de som estéreo.)
A Apple apregoa o Air como sendo “criado para um mundo wireless” e por isso ele vem pelo menos com interface wireless Bluetooth e 802.11n (draft). Os usuários podem recorrer ao adaptador Ethernet baseado em USB opcional (29 dólares) para pendurar uma porta de rede se realmente quiserem ficar conectados.
Isso já está ficando repetitivo, mas cadê o drive de DVD?
Oops. A Apple não se esqueceu de instalar um no Air, ela o descartou de propósito. Jobs simplesmente rejeitou a idéia de um drive embutido, o que deve ter feito os atuais usuários do MacBook se perguntarem por que eles estão transportando o peso extra em suas máquinas. “Sabe de uma coisa? Não achamos que a maioria dos usuários sentirá falta de um drive ótico, precisará de um drive ótico”, disse Jobs. E deu alternativas que incluíam um drive externo opcional de 99 dólares.
Você precisa instalar alguma coisa a partir de um CD ou DVD? Use o Remote Disc, o software incluído no Air que também tem que ser instalado em outro Mac ou PC Windows. O Remote Disc permite que o Air “peça emprestado” o drive ótico daquela máquina – através de uma rede wireless, pelo visto – para instalar software ou carregar músicas de um CD de áudio para ripping, por exemplo.
Você pergunta por que não há drive? Um dos motivos é a falta de espaço no gabinete do Air. Tem também a postura de Jobs em relação a drives óticos internos. Lembre-se do que ele fez com os disquetes em fins dos anos 90.
Por que os preços das duas configurações do MacBook Air são tão díspares? De US$1.799 para US$3.098?
Você notou isso. Nós também. Colegas de trabalho idem. A disparidade advém de duas mudanças. A primeira se refere aos 300 dólares para turbinar o processador de 1.6 GHz para 1.8 GHz e a segunda é de 999 dólares para trocar o drive de disco rígido baseado em prato de 80GB por um drive em estado sólido (solid-state drive, SSD) baseado em memória flash de 64GB. A propósito, o drive de 80GB gira a 4.200 rpm.
A diferença no preço do processador está alinhada com o que a Apple cobra por outros upgrades de CPU. Para o MacBook Pro, por exemplo, a mudança de 2.4 GHz para 2.6 GHz custa 250 dólares. E quanto ao disk drive? Bem, como disse Jobs, o SSD é “caro”. Principalmente na Apple. A Dell, por exemplo, vende um upgrade SSD de 64GB para laptop XPS M1330 por 750 dólares.
A quem o MacBook Air se destina?
A Apple raramente, se é que alguma vez o fez, destina um computador específico a um grupo em particular. A empresa põe seus produtos nas prateleiras e permite que os compradores criem a segmentação para eles. Mas, com seu peso mais baixo e seu preço, e, sinceramente, suas concessões, deverá ser mais atrativo para viajantes freqüentes em aviões ou que passam menos de cinco horas longe de uma tomada elétrica, estudantes abonados que querem o menor volume possível em suas mochilas e o público fiel da Apple que sempre comprará o mais novo e belo objeto.
Devo comprar?
Isso é entre você e sua conta bancária. Nós informamos. Você decide. Além disso, como ele ainda vai levar duas a três semanas para chegar ao varejo (americano), você tem um tempinho para descobrir.