Nuvens são um negócio danado. Elas aparecem e desaparecem ao sabor da natureza, se movem para onde o vento sopra, mudam de forma e tamanho o tempo todo e são caprichosas, volúveis e inconstantes como certas pessoas (eu ia escrever “mulheres”, mas se o fizesse mereceria ? com justa razão ? a pecha de chauvinista). […]
Nuvens são um negócio danado. Elas aparecem e desaparecem ao sabor da natureza, se movem para onde o vento sopra, mudam de forma e tamanho o tempo todo e são caprichosas, volúveis e inconstantes como certas pessoas (eu ia escrever “mulheres”, mas se o fizesse mereceria ? com justa razão ? a pecha de chauvinista). Mas, sobretudo (e, agora sim, sem machismo), como as mulheres, as nuvens são livres. Não pertencem a ninguém.
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A Iomega foi comprada pela EMC e continua fazendo suas estripulias. Sobre uma delas, justamente a que permite criar a nuvem pessoal, já falei aqui mesmo: o excelente iX2-200, um dispositivo de armazenamento em rede tipo NAS que, depois que conheci, não consigo mais viver sem. É um treco mais ou menos do tamanho de uma caixa de sapatos infantis com dois discos rígidos de 1 TB (TeraByte) cada, que permanece conectado ao roteador de minha rede doméstica e armazena com segurança todos os meus dados, distribuindo-os pelos computadores ligados à rede quando solicitados (nenhuma surpresa: afinal, este é justamente o conceito de NAS, “Networked Attached Storage” ou armazenamento conectado à rede).
Com ele consegui resolver um velho problema que me apoquentava um bocado. Aliás, dois. O primeiro era centralizar em um só lugar os arquivos com que trabalho rotineiramente, muitas vezes editando-os em máquinas diferentes, sem ter que me preocupar com sincronizações. O segundo era o da segurança: os discos do iX2 estão ligados em uma configuração RAID espelhada de modo que, se um deles falhar, o sistema informa a ocorrência do problema e o outro “aguenta o tranco” sozinho até que seu companheiro defeituoso seja substituído. E não pense que isto é refrescância de minha parte: já aconteceu uma vez e não fora o espelhamento eu teria perdido pelo menos uma semana de dados, já que minhas cópias de segurança são semanais (para os que não sabem: uso o vocábulo “refrescância” no mesmo contexto do empregado pelas agências de publicidade, sobretudo as responsáveis pelas contas de dentifrícios e afins, que o empregam para evitar o tradicional “frescura”, do qual é sinônimo exato).
Mas o iX2 tinha um único inconveniente: o acesso remoto. Não é que não o permitisse. Até que permitia. Mas configurá-lo estava mais para a categoria dos quebra-cabeças que da tecnologia, ainda mais para um sujeito como eu que sempre considerou o tema “redes” pertinente ao domínio da magia negra.
Agora, com minha própria nuvem, a coisa é diferente…