Sócio-diretor diz que vai copiar modelo de gestão de custo baixo da Índia, China e Rússia
Antes do Natal, o morador da Grande São Paulo vai ter uma opção nova de operadora celular: a Unicel do Brasil Telecomunicações. Controlada por José Roberto Melo da Silva, a nova companhia está assistindo à montagem, pela Ericsson, de sua infra-estrutura em São Paulo e nos 63 municípios que utilizam o prefixo 011, a chamada região metropolitana.
O investimento não foi revelado mas a Unicel chega prometendo operação diferenciada, com tarifas mais baixas do que as das concorrentes Claro, Vivo e TIM. Sua estratégia é ofertar somente pré-pagos, mas com tarifas iguais às dos pós-pagos, exibindo comportamento diametralmente oposto ao das concorrentes. Por causa da ausência de assinatura mensal, as teles costumam tarifar o minuto pré-pago muito acima do pós-pago, que requer contrato.
A estrutura de custo da Unicel será a mais enxuta possível, para permitir a venda de muitos minutos mais baratos com a certeza de rentabilidade. Aliás, nesse quesito o principal acionista promete ser muito exigente: “queremos Ebitda (medida de desempenho financeiro) de 40%, como o das operadoras que atuam fora do Brasil”, disse Silva. “Aqui, as teles não conseguem ter lucro por má gestão”, afirmou citando o valor médio cobrado por minuto na China (US$ 0,03), EUA (US$ 0,06), Rússia (US$ 0,06) e Índia (US$ 0,02) contra a tarifa no Brasil (US$ 0,16).
Segundo consenso de mercado, o Ebitda acanhado das companhias celulares é resultado de uma relação de investimento alto e retorno financeiro lento, devido à concorrência e à necessidade de desembolso continuado.
Silva negou-se a dar detalhes do financiamento ao qual a Unicel teve acesso. Afirmou somente que um fundo de investidores está apostando na empresa. Meses atrás a Unicel foi objeto de especulações segundo as quais a família Constantino, controladora da Gol, estaria interessada em ser sócia. A informação não foi confirmada pelos acionistas da companhia aérea nem chegou a se concretizar.
Modelo inédito
O modelo de operação da Unicel é inédito no Brasil e pode, segundo fonte do mercado, vir a ser adotado no futuro, com a terceira geração de telefonia móvel, a ser licitada ainda este ano, conforme prevê a Anatel.
Segundo informações do setor, a Ericsson implantou em Indaiatuba, no interior de São Paulo, uma subsidiária integral ao lado do centro de pesquisa e desenvolvimento. Nos moldes do que a sueca mantém nos Estados Unidos, este núcleo vai acolher a Unicel. “Seria uma espécie de terceirização mais abrangente, como a que a Motorola já fez na Venezuela”, afirmou fonte do mercado que pediu para não ser identificada. Pelo modelo, a Ericsson monta as estações radiobase e a Unicel fica isenta de efetuar o investimento inicial, comprometendo-se a pagar pelo serviço terceirizado à fabricante.
Num primeiro momento, a Unicel está funcionando num escritório virtual na Avenida das Nações Unidas mas em breve será inserida no espaço de Indaiatuba. A estrutura de marketing tem à frente Álvaro Simões e Silvia Cezar, ambos egressos do banco Santander. Outros profissionais foram convidados da Claro e Brasil Telecom GSM. O principal acionista, Silva, atuou no passado no setor de informática e mais recentemente em tecnologia da informação, tendo sido fornecedor de sistemas para teles como a BrT.
A licença de operação da Unicel resulta de leilão de sobras do SMP (Serviço Móvel Pessoal) da Anatel, em fevereiro deste ano, mas a empresa teve de cumprir a exigência de depósito de 10% do preço mínimo da concessão, que era R$ 93,9 milhões, apesar de ter obtido anteriormente liminar que reduzia o depósito a 1%. “As dificuldades são enormes mas a persistência é maior”, diz.