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Você gerencia bem seus contratos de TI? Conheça as melhores práticas

Processo ainda engatinha no Brasil, mas é uma tarefa que, quando bem-feita, traz benefícios para os CIOs

Publicado: 29/04/2026 às 15:12
Leitura
7 minutos
Você gerencia bem seus contratos de TI? Conheça as melhores práticas
Construção civil — Foto: Reprodução

Aquele contrato de terceirização de hardware ou software

está quase vencido e você se vê a alguns segundos fora do prazo de renovação

exigido – o que vai acarretar gordas multas de rescisão. O que fazer? Se esta

situação lhe parece familiar, você pode estar de frente à falta de uma gestão

eficiente de contratos. Uma realidade muito comum às companhias brasileiras.

A prática de gerenciar minutas ainda engatinha no

Brasil, de acordo com Enio

Jorge Salu, diretor da Escepti Consultoria e Treinamento,

especializada em engenharia de processos e TI. “As poucas empresas que

resolveram profissionalizar a atividade ainda não adotaram modelos definidos e

acabam se restringindo a eventos pré-parametrizados em sistemas de gestão

integrada (ERP), que estão mais focados na contratação do que na gestão, e

ligados apenas à rotina do orçamento e de

pagamentos.”

Para Salu, um erro comum realizado no setor é associar o

módulo de controle de contratos do ERP à gestão do contrato, quando na verdade a

ferramenta vem programada somente para tratar alçadas de contratação e salários.

“Ela necessita ser padronizada para controlar a gestão do acordo após a

assinatura final. É neste momento que usuários e fornecedores que não dominam

modelos de gestão do ciclo de vida dos contratos acabam perdendo o controle.” E

o ERP  acaba não atendendo às necessidades das empresas e ainda frustra as

expectativas dos executivos que sonhavam com uma aliança

renovada.

Na prática, para não trabalhar às cegas, as grandes

empresas brasileiras criam uma área de gestão de contratos, que pode ou não

estar ligada ao departamento de TI. Mas, segundo especialistas, sem a adoção de

um modelo de operação, dificilmente esse setor conseguirá determinar

corretamente quando e o quê a organização necessita. “Se a área não especificar

bem o que precisa, seus fornecedores internos, de TI, e os externos, de software

e infra-estrutura, entregarão produtos que não atenderão à empresa”, diz Salu.

Sem uma metodologia eficaz, o gestor pode se perder em

meio a muitos contratos, ocasionando, eventualmente, o pagamento extra de

tarifas, multas contratuais, a falta de conhecimento de cláusulas importantes e

até a compra de um serviço inferior ao especificado no acordo. Para o advogado

Gilberto

Martins de Almeida, professor do curso estratégias legais de

elaboração, negociação e administração de contratos de TI do International

Business Communication (IBC) do Brasil, como os investimentos em tecnologia

atingem altos volumes dentro das organizações, a administração de acordos

torna-se indispensável nos dias de hoje – e a lista de vantagens para quem segue

essa trilha engordou.

“O controle proporciona o atendimento às normas

regulatórias, evita multas, danos de imagem, o risco de contingenciamento de

recursos e os limites às operações. Ainda serve para cortar o custo das apólices

de seguros, assegura a valoração de ativos e evita paralisações e gastos

emergenciais – sem falar da boa interação cultivada entre empresa e

fornecedores”, enumera Almeida. 

Um estudo do instituto de pesquisa Aberdeen Group aponta

que a gestão contratual por meio de sistemas centralizadores ou ferramentas de

análise de desempenho diminui em até 30% os custos da área onde a prática é

adotada. Além disso, pode melhorar o controle do cumprimento dos contratos em

mais de 50%. “Fazendo esta conta é possível ver se vale a pena criar uma área

para gerenciar os acordos e qual o retorno mínimo que ela trará à empresa. Na

maioria dos casos, chega-se à conclusão de que é importante profissionalizar a

gestão”, destaca Salu.

Para a gerência de contratos realmente funcionar, o

especialista aconselha ao CIO tomar um passo importante: adotar um modelo de

gestão. “Nenhuma solução sistêmica milagrosa dará algum retorno sem um padrão

que defina atribuições, processos, indicadores e ferramentas”. Algumas

ferramentas básicas serão necessárias, como o ERP, o gerenciamento eletrônico de

documentos (GED) e ter um workflow, itens presentes em muitas empresas. O

ERP, por exemplo, pode garantir o controle do acervo: catálogo

de documentos, histórico de relacionamentos, com anexos e aditivos, além de

guias e certificações.

Já o GED entra no processo para cuidar dos contratos

digitalizados e o fluxo de trabalho cuida da execução dos eventos, com

renovação, reajuste, pagamento, inspeção e penalidades. “Se a empresa tiver um

sistema de business intelligence (BI) para extrair automaticamente os

indicadores, o quadro ficará absolutamente completo”, garante Salu. Segundo

Almeida, do IBC, outras empresas preferem alocar em diferentes grupos a missão

de gerir contratos de TI. Normalmente, o departamento de conformidade (ou

compliance) fiscaliza; a área de TI operacionaliza; o setor jurídico revê os

documentos; e alguns consultores arregaçam as mangas como provedores de

informação e aconselhamento.

Algumas companhias já entraram na era da organização dos

documentos e têm boas histórias para contar quando o assunto é gestão de

contratos em

série. Na BR Distribuidora, do setor de derivados de petróleo e

álcool, a gerência da papelada de TI e telecom funciona desde 2002. Não é para

menos: dona de um faturamento de R$ 52,5 bilhões, a companhia movimenta cerca de

80 grandes contratos de TI por ano. “São acordos de fornecimento de

equipamentos, consultoria e auditoria, suporte técnico, serviços de

digitalização, impressão, de infra-estrutura e telecom, além de segurança de

internet, redes e computadores”, explica Carlos Fernando Braga Netto, gerente de

relacionamento com clientes de TI da companhia.

Para fazer o trabalho correr nos trilhos, a BR criou uma

unidade específica de gestão de contratos, que integra a gerência de

relacionamento com clientes. Segundo Braga Netto, os benefícios vieram

rapidamente. “Houve uma melhoria nas condições contratuais e na pontualidade do

cumprimento das obrigações. Observamos ainda uma maior integração com as áreas

de clientes, mais capacidade de planejamento e de execução de orçamento, e

transparência das contas para a empresa.”

Além disso, o executivo também percebeu mudanças no

entorno da área, como a criação de um canal direto de relacionamento com os

clientes corporativos de TI, melhores preços nos serviços e mais consistência

nos planejamentos contábil e financeiro. Entre as ferramentas usadas pela BR

estão o Lotus Notes e o sistema de gestão das demandas da ouvidoria e

acompanhamento de contratos, desenvolvido pela consultoria Cyberlynxx. “É

possível acompanhar todo o fluxo do negócio, com prazos e obrigações.”

No Hospital e Maternidade São Camilo-Pompéia, em São

Paulo, com 1,2 mil funcionários, o filtro de contratos de TI e telecom é

observado de perto desde janeiro de 2007. “Movimentamos cerca de 20 contratos

por ano”, revela Carlos Eiji Torigoe, chefe do departamento de TI da

instituição. O acervo inclui acordos de links de dados, outsourcing de

impressão, help desk, manutenção de sistemas e de PABX, além de leasing de

equipamentos e serviços de voz.

Toda a gestão operacional é feita pela área de TI e o

hospital ainda conta com um setor específico que administra todos os contratos

da empresa. Em pouco mais de um ano, Torigoe já coleciona vantagens da

iniciativa ao extrair o máximo dos objetos contratados. “No final, ganhamos uma

melhor prestação de serviços de TI.”

Para o gerenciamento dos documentos sair perfeito, o

executivo acredita que se deve saber exatamente todas as cláusulas dos

contratos, principalmente os itens referentes aos acordos de níveis de serviço

(SLA), além dos direitos e deveres do contratado. “Nas cláusulas do SLA está a

estrutura principal do contrato de TI. Por isso, um acompanhamento mensal dos

indicadores definidos é fundamental”, finaliza.

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