Ganhos estão distribuídos entre fornecedores e clientes, segundo pesquisa da consultoria Guerreiro Consult
A indústria e os consumidores de serviços de acesso à internet devem ter no Brasil o benefício econômico de R$ 22,09 bilhões até R$ 38,5 bilhões com o uso do WiMax, padrão de transmissão do acesso à web em longas distâncias, ainda não regulamentado no País. A conclusão é do estudo realizado pela consultoria de telecomunicações Guerreiro Consult, encomendada pela fabricante de chips Intel, que é uma das grandes defensoras da padrão como forma de ampliar o acesso e, com isso, aumentar as vendas dos computadores com os seus chips.
Segundo a pesquisa, o ganho dos produtores ficará entre R$ 1,95 bilhão e R$ 3,4 bilhões, enquanto o ganho dos consumidores residirá numa faixa dez vezes maior, entre R$ 19,5 bilhões e R$ 34 bilhões. Há ainda um benefício de financiamento federal, contabilizando a venda da concessão de uso da freqüência de 3,5 gigahertz, que deve ser licitada pelo governo. O ganho do produtor foi contabilizado pelo preço que deve praticar no mercado pelo acesso em comparação ao mínimo que estaria disposto a cobrar. Já o ganho do consumidor considera a diferença entre o que estaria disposto a pagar pelo serviço e o seu custo real.
“Qualquer razão utilizada pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para adiar a licitação do espectro empalidece frente oa volume de benefícios. E se há o adiamento por um ano da decisão, já é perdido 10% desse valor”, afirma o responsável pelo mercado telecomunicações na Intel, Peter Pitsch, que atuou por 10 anos na FCC, agência americana para o setor equivalente à Anatel, e que hoje é responsável por ajudar a convencer os governos a serem mais ágeis na regulação do padrão WiMax.
A Intel é uma das participantes de uma nova joint venture para WiMax, que inclui também Google, Comcast, Time Warner e as operadoras Clearwire e Sprint Nextel. As empresas investirá US$ 14 bilhões para levar a tecnologia aos usuários americanos. A Intel contribuirá com US$ 1,6 bilhão. “A FCC deve aprovar a joint venture dia 4 de novembro”, diz Pitsch.
O valor investido pela fabricante de chips visa a impulsionar o início de um ciclo virtuoso para o padrão WiMax, assim como fez quando incentivou o uso do WiFi (acesso à web em curtas distâncias), com o chip Centrino para notebooks. “Existe a questão do ovo e da galinha. As empresas não começam a vender notebooks com chips WiMax se não existem redes para isso, que só começam a ser instaladas quando existem equipamentos para acessá-las.”