Companhia diz que 2008 "é um ano que promete" e inclui nos planos um centro de treinamento e o lançamento de sua marca própria nos celulares 3G.
A chinesa ZTE afirma que “2008 é um ano que promete” para as operações da companhia no Brasil. Disposta a deslanchar no País, a empresa, que iniciou a internacionalização em 1995, obteve aportes da matriz e se diz disposta a mostrar agressividade na conquista de novos negócios.
O primeiro investimento será feito em um centro de treinamento para atender toda a América do Sul. A empresa vai aplicar 10 milhões de dólares em equipamentos e infra-estrutura para montar o centro, que deve ficar pronto até o final de 2008, segundo Eliandro Ávila, vice-presidente da companhia no País.
Segundo ele, a empresa decidiu mudar seu escritório administrativo, antes localizado em Barueri (SP), para a capital paulista de forma a ficar mais próxima das operadoras e para liberar o antigo espaço para sediar o centro.
Com três laboratórios, o centro vai permitir treinar os clientes da ZTE (as operadoras, neste primeiro momento), além de realizar testes com parceiros e treinamento do próprio pessoal da ZTE.
Segundo o executivo, “em 2007 a ZTE dobrou o faturamento em relação ao ano anterior e, por isso, foi premiada pela matriz com a autorização para investimentos”, disse ele, em encontro com a imprensa.
De acordo com Ávila, o ano de 2008 para o setor de telecomunicações “já começou em novembro” e “promete” grandes negócios. A expectativa é triplicar a receita local, que, no entanto, não é divulgada.
Outros destaques do COMPUTERWORLD:
>Leilão de 3G arrecada R$ 5,33 bi, com ágio médio de 86,6%
>Nextel nega ter entrado no leilão de 3G para elevar o ágio
>Migração da Vivo para 3G pode elevar arrecadação para R$ 6 bi
>Surpresa com ágios, Claro investe R$ 1,4 bi no leilão de 3G
>Anatel prevê R$ 10 bi de investimento em 3G até 2010
Na América do Sul, onde emprega hoje 500 pessoas, os planos da ZTE incluem dobrar o número para 1 mil profissionais ainda este ano. A receita também deve triplicar.
Como explicou Scott Shouchen, presidente da ZTE para a América do Sul, a região representa hoje entre 3% e 5% da receita total, mas essa é a região que mais cresce no momento. “Enquanto a receita do grupo como um todo deve crescer 15%, na América do Sul deve crescer 300%”, comparou.
Celulares de marca própria
A ZTE já vende celulares no Brasil desde 2004, mas só atendia até então a Vivo, em um acordo com a Evadin para que os modelos, produzidos pela Evadin em Manaus (AM), fossem vendidos com a marca Aiko.
Nas próximas semanas, segundo Ávila, a companhia anuncia uma segunda parceria de fabricação, com a qual vai lançar sua própria marca em modems para banda larga móvel e celulares, todos de terceira geração.
Segundo Ávila, a ZTE já vende celulares com a sua marca em cerca de 40 países e viu na chegada da terceira geração no Brasil a possibilidade de lançá-la também por aqui. Ele garantiu, enbtretantro, que “a parceria com a Evadin continua” tanto em modelos CDMA como GSM e EVDO (terceira geração do CDMA para placas de dados).
A ZTE já fechou três contratos, de acordo com o executivo, para a venda de modems de alta velocidade para conexão da linha celular 3G, mas as operadoras não permitem que seus nomes sejam revelados. A ZTE avalia parceiras em Manaus e São Paulo e, por isso, espera divulgar o nome da nova fabricante em três semanas, segundo o vice-presidente.
Na área de telefonia fixa a companhia também vislumbra negócios. Ela já assinou um contrato de serviços de valor agregado e um de implantação de rede com duas companhias cujos nomes também não podem ser revelados.
Nas áreas de IPTV e WiMax a fabricante chinesa ainda espera conseguir negócios. Ela só detinha equipamentos para WiMax em 2,5 GHz, mas os pesquisadores da companhia na China passaram a desenvolver tecnologia também para 3,5 GHz, uma das freqüências que a Anatel espera licitar este ano.